Fecho da 22ª cimeira da União Africana

Áudio 06:12
Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca
Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca Neidy Ribeiro/RFI

Terminou esta sexta-feira em Addis Abeba, Etiópia, a 22ª cimeira de chefes de estado e de governo da União Africana, uma cimeira dominada pelas crises da República Centro-Africana e do Sudão do Sul bem como pela problemática da segurança alimentar. Entre os chefes de Estado presentes, estava o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca que entre outros aspectos destacou a importância de resolver os conflitos vigentes no continente antes de encarar novas etapas.

Publicidade

Com efeito, em paralelo com os calendários de crescimento que pretendem esboçar para as próximas décadas, os dirigentes Africanos depararam-se uma vez mais nesta nova cimeira com a urgência de resolver as suas crises e dar um passo em frente para a constituição da sua futura força de intervenção rápida conforme decidido no passado mês de Maio, aquando da anterior cimeira da organização pan-africana. A este respeito, o presidente em exercício da União Africana, o chefe de Estado da Mauritânia indicou que uma dezena de países Africanos prometeram fornecer tropas para essa estrutura.

Entre esses países figuram a Tanzânia, a Etiópia, a Mauritânia, a Argélia, África do Sul, Chade ou ainda Angola, Luanda tendo referido no caso particular da República Centro-Africana que vai providenciar-lhe apoio humanitário. Por outro lado, relativamente ao Sudão do Sul, a cimeira terminou com uma declaração política de encorajamento aos esforços de paz naquele país. Mais pormenores com a enviada especial a Addis Abeba, Neidy Ribeiro.

Neidy Ribeiro, enviada especial da RFI a Addis Abeba

Grande ausente da cimeira na sequência da sua suspensão resultante do golpe de 2012, a Guiné-Bissau não foi esquecida pelos seus parceiros. Ontem de manhã, o vice presidente angolano Manuel Vicente discursou no Conselho de Paz e Segurança da União Africana e defendeu que a Guiné-Bissau deve seguir o exemplo de Madagáscar, país que acaba de ser readmitido na União Africana.

Vice-presidente angolano Manuel Vicente em declarações recolhidas por Neidy Ribeiro

Relativamente a outra situação ainda sensível, a situação da República Democrática do congo, os chefes de Estado africanos congratularam-se ontem com o grau de implementação do acordo-quadro para a paz, segurança e cooperação na RDC. Todavia, o último relatório de peritos da ONU sobre a RDC denuncia de novo o apoio do Ruanda ao grupo rebelde congolês M23. Esta manhã, o chefe da diplomacia angolana Georges Chicoty participou na conferência sobre os Grandes Lagos em Addis Abeba e, no final, afirmou à nossa enviada especial Neidy Ribeiro desconhecer esta informação, tendo reiterado o interesse do Ruanda nas negociações de paz inter-congolesas.

Ministro das Relações Exteriores de Angola Georges Chicoty entrevistado por Neidy Ribeiro

Noutro quadrante, esta cimeira foi também a ocasião para o presidente cabo-verdiano Jorge Carlos Fonseca receber ontem em Adis Abeba o prémio excelência 2014, atribuído pela Aliança de líderes africanos contra a malária, ALMA, instituição que este ano distinguiu 7 países entre os quais Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Para Jorge Carlos Fonseca esta distinção mostra o reconhecimento do trabalho que o seu país.

Presidente Jorge Carlos Fonseca entrevistado por Neidy Ribeiro

Também presente nesta cimeira esteve São Tomé e Príncipe representado pela sua ministra dos Negócios Estrangeiros Natália Umbelina que, ao aludir aos compromissos assumidos pelo seu país junto dos seus parceiros africanos, nega que haja atrasos no pagamento das quotas à União Africana por São Tomé.

Ministra São-Tomense de Negócios Estrangeiros Natália Umbelina entrevistada por Neidy Ribeiro

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI