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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Morreu Kumba Yalá

Miguel Martins/RFI
Texto por: RFI
9 min

O ex-Presidente da Guiné-Bissau Kumba Yalá morreu hoje, aos 61 anos, alegadamente devido a doença cardíaca. O emblemático homem do gorro vermelho candidatou-se à Presidência da República do país em todas as eleições desde 1994, foi eleito em 2000, mas deposto em 2003, por um golpe de Estado militar.

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Nascido a 15 de Março de 1953 numa família de camponeses, Kumba Yalá aderiu adolescente ao PAIGC, Partido Africano da independência da Guiné e Cabo Verde. Em 1981 termina uma licencitura em Teologia e Filosofia em Portugal, na Alemanha estuda Ciência Política e em Bissau forma-se em Direito.

No início dos anos 90, Kumba Yalá sai do PAIGC e funda maisa sua própria formação em 1992, o PRS, Partido da Renovaçao Social, cujas cores defende aquando das primeiras eleiçoes multipartidarias do país em 1994.

Em 2000 leva a melhor  frente a Malam Bacai Sanhá e é eleito chefe de Estado da Guiné-Bissau, fica no poder três anos, não chegando a completar o seu mandato interrompido por um golpe de Estado militar em Setembro de 2003.

Candidato novamente à presidencia em 2005, nao chega à segunda volta, tendo sido ultrapassado por Nino Vieira que também não chega a completar o  mandato, uma vez que é assassinado em 2009.

Seguem-se depois as  eleições antecipadas em que uma vez mais Kumba Yalá é candidato, desta vez derrotado por Malam Bacai Sanhá, uma derrota que acaba por empurrá-lo para o exílio em Marrocos, desterro que termina em 2012, depois da morte de Bacai Sanhá.

Em Março do mesmo ano os guineenses são chamados de novo às urnas, desta vez Kumba Yalá obtem votos suficientes para disputar a segunda volta,  que todavia não chega a acontecer devido ao golpe de 12 de Abril de 2012, mergulhando o país no período de transição actualmente ainda está em vigor.

Liliana Henriques traça-nos aqui o perfil do líder histórico, Kumba Yalá

Kumba Yalá, ex-chefe de Estado da Guiné-Bissau

No final do ano passado, Kumba Yalá chegou a anunciar a sua intenção de se candidatar novamente às presidenciais, uma ideia que acabou por abandonar, tendo-se retirado da vida política no início de 2014. Ouça um extracto do discurso de Kumba Yalá

Kumba Yalá, ex-chefe de Estado da Guiné-Bissau

A morte de Kumba Yala apanha o país desprevenido e em pleno período de campanha eleitoral para as eleições gerais de 13 de Abril. Reunido esta manhã em Conselho de Ministros extraordinário, o governo de transição confirmou três dias de luto nacional, decretados por Serifo Nhmadjo e ordenou ainda a suspensão da campanha eleitoral até à próxima segunda-feira. Contudo não há nenhuma indicação de que as eleições sejam adiadas.

Desde que a notícia foi avançado foram várias as figuras políticas, religiosas, membros da sociedade civil e militares que se dirigiram à casa de Kumba Yalá. O Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, foi um deles tendo estado reunido com os familiares. À saída, emocionado, escusou-se a fazer qualquer comentário aos jornalistas.

Mais pormenores com o nosso correspondente em Bissau, Mussá Baldé

Correspondência Guiné-Bissau

O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, lamentou a morte de Kumba Yalá salientanto que o mais importante neste momento é que toda a classe política guineense pense no diálogo, na tolerância para um entendimento nacional. 

Ouça aqui as declarações do chefe do executivo cabo-verdiano, José Maria Neves

José Maria Neves, primeiro-ministro de Cabo Verde

 

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