ANGOLA/REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

Angola avalia hipotético envio de tropas para a RCA

Deslocados protestam contra a falta de comida no campo de Dom Bosco que acolhe quase 18 000 pessoas que fugiram da violência entre Séléka e anti-balaka em Bangui.
Deslocados protestam contra a falta de comida no campo de Dom Bosco que acolhe quase 18 000 pessoas que fugiram da violência entre Séléka e anti-balaka em Bangui. © William Daniels / Panos Pictures -

O primeiro-ministro da República centro-africana, André Nzapayéké, deixou hoje Luanda após uma visita de 24 horas. Angola levará a cabo uma avaliação na RCA acerca do pedido de Bangui para o envio de tropas.

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O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, preside actualmente a Conferência internacional dos Grandes Lagos (reunindo doze Estados) e foi, obviamente, um dos interlocutores do chefe do executivo centro-africano.

Este admitiu ter pedido o envio de tropas angolanas para o seu país, mergulhado numa crise político-militar profunda na sequência do golpe de Estado que derrubou no ano passado o regime de François Bozizé. 

As autoridades de transição actuais procuram, com o apoio dos contingentes francês e africano, estancar a violência confessional que pontua a vida da RCA desde Dezembro do ano passado.

As milícias muçulmanas, -Séléka-, que apoiaram os mentores do golpe de Estado teriam, numa primeira fase, protagonizado saques contra a população, maioritariamente cristã.

Grupos ditos -anti balaka- acabaram por surgir numa aleaga retaliação à violência dos novos senhores de Bangui.

A nova presidente Catherine Samba Panza tem lançado inúmeros apelos à reconciliação dos centro-africanos, mas o seu país carece de meios para lidar com uma situação explosiva, tida como "crítica".

Angola já tem providenciado apoio financeiro e logístico às autoridades de transição de Bangui, mas até ao momento excluía qualquer envio de tropas.

O ministro das relações exteriores de Luanda, Georges Chikoti, respondendo à solicitação de Bangui, admitiu vir a enviar uma missão para o terreno para avaliar a possibilidade do envio de uma hipotética força angolana.

O Fórum para a reconciliação nacional da RCA está já agendado para Brazzaville, capital do Congo, entre 21 e 23 do corrente mês.

Avelino Miguel, correspondente em Angola, tem mais informação.

Correspondência de Avelino Miguel

 

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