Angola

Participação da Sonangol no BESA é equiparada a uma nacionalização

Sede da empresa petrolífera estatal angolana Sonangol, em Luanda.
Sede da empresa petrolífera estatal angolana Sonangol, em Luanda. Wikipedia
Texto por: Liliana Henriques
6 min

O BESA, filial angolana do banco português BES -Banco Espírito Santo- cujas dificuldades vinham sendo conhecidas nos últimos meses, nomeadamente com o escândalo em Angola da atribuição de créditos malparados de 5,7 mil milhões de dólares a beneficiários desconhecidos, foi alvo de uma mudança na sua estrutura accionista.

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Numa assembleia-geral realizada a 29 de Outubro ficou decidido que o BESA passa a designar-se de Banco Económico SA, mas sobretudo ficou estabelecido que o banco passa a ser liderado por Angola, com a entrada da Sonangol, com uma posição de 35% do capital social. Somam-se ainda cerca de 10% de participação do Novo Banco, emanação do Banco Espírito Santo remodelado em Agosto, quase 20% da sociedade Geni, que se mantém igualmente como accionista, enquanto os chineses da Lektron Capital ficam com 35%, segundo informações que ainda não foram confirmadas pela nova entidade ou pelo BNA - Banco Nacional de Angola.

A 31 de Outubro, o BNA cessou a sua intervenção directa no agora ex-BESA, com a nomeação de dois administradores provisórios, mas permanecem incertezas sobre a natureza da nova estrutura. Exceptuando a Sonangol, não se conhece ao certo quem está por detrás dos restantes accionistas e ainda falta igualmente esclarecer quem beneficiou dos famosos créditos malparados, conforme disse à RFI Alves da Rocha, director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, para quem a chegada da Sonangol, empresa estatal, no capital do ex-BESA pode ser equiparada a uma nacionalização.

Alves da Rocha, director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola

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