Moçambique

Moçambique : raptos rendem milhões

Mohamed Bachir Sulemane, empresário moçambicano
Mohamed Bachir Sulemane, empresário moçambicano DR

A polícia continua a investigar, mas não dá pormenores sobre o rapto ontem (12/10) no centro de Maputo do empresário Mohamed Bachir Sulemane, à saída da mesquita situada no interior do Maputo Shopping Centre de que é proprietário, o resgate a pagar para a sua libertação poderá estar na origem do mesmo.

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Mohamed Bachir Suleimane, que sempre se desloca com guarda-costas armados, é uma das pessoas mais ricas de Moçambique, o principal financiador do partido no poder Frelimo, sendo considerado um amigo pessoal do Presidente Armando Guebuza.

Em 2010 ele foi acusado pelos Estados Unidos de ser um "barão de droga" importada da Índia e Ásia, destinada à Europa e transitando por Moçambique, bem como de utilisar as empresas vinculadas ao seu grupo MBS Lda para branqueamento de capitais. O Departamento do Tesouro norte-americano congelou os seus bens no país e decretou a proibição de negócios e/ou transações financeiras do empresário com cidadãos norte-americanos.

Na sequência desta acusação, a Procuradoria-Geral da República de Moçambique investigou e em 2011 concluiu não haver indícios suficientes de envolvimento do empresário com tráfico de drogas, mas ter encontrado ilícitos de natureza fiscal, pelo que este foi multado.

Luís Nhachote, jornalista moçambicano, que começa por traçar um breve perfil de Mohamed Bachir Sulemane, refere que há "um aparato policial descomunal no sentido de resgatar o empresário...que é o expoente máximo da comunidade que é sequestrada...(cujos raptores) "cobram resgates na proporção da pessoa, dos bens e património que tem..sendo o escalão mais baixo 500 mil dólares e chegam a 4,5,6 milhões de dólares".

Para Luís Nhachote este rapto revela que "a capitulação do Estado perante o crime organizado, impune em Moçambique, no que tange aos raptos."

Luís Nhachote, jornalista moçambicano

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