Angola

CASA-CE sai à rua para assinalar um ano sobre a morte de "Ganga"

CASA-CE sai à rua para assinalar um ano sobre a morte de "Ganga"
CASA-CE sai à rua para assinalar um ano sobre a morte de "Ganga" Opan access/Fabio Vanin

Dirigentes, militantes da CASA-CE e activistas saíram às ruas de Luanda para assinalar um ano sobre o assassínio de Manuel Hilbert de Carvalho Ganga, um engenheiro de construção civil, morto em consequência do seu activismo pelos direitos humanos.

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Foi há precisamente um ano que Manuel Hilbert de Carvalho Ganga foi assassinado por membros da Unidade de Segurança Presidencial, enquanto colava cartazes na parede do Estádio dos Coqueiros, cartazes onde se exigia justiça para o caso de Isaias Cassule e Alves Kamulingue (processo que está agora a decorrer no Tribunal Provincial de Luanda). Um ano depois o caso continua por resolver. 

Neste domingo, dirigentes e militantes da CASA-CE, marcharam nas ruas de Luanda em homenagem "a todos aqueles que têm sido assassinados por terem opiniões diferentes daqueles que estão no regime". Leonel Gomes, secretário executivo nacional da CASA-CE, disse ainda que apesar das dificuldades iniciais, criadas pelo partido no poder, a manifestação decorreu de forma ordeira e disse que " pela primeira vez a polícia de Angola agiu como  polícia republicana".

Questionado sobre o facto da postura da polícia poder ser interpretada como uma abertura do regime de José Eduardo dos Santos, o responsavél da CASA -CE disse que nada tinha a ver, uma vez que sabia que a polícia tinha recebido indicações contrárias. " Nós sabemos que a polícia foi pressionada pelo MPLA, alguns comandantes, eventualmente, terão a cabeça a prémio nos próximos dias..."

A esta marcha juntaram-se igualmente os jovens do “Movimento Revolucionário” que decidiram, no entanto, adiar a manifestação que tinham anunciado para este domingo. Ontem os jovens foram imediatamente presos quando tentaram manifestar-se e levados pelas autoridades para uma zona a cerca de 100 quilómetros de Luanda onde foram abandonados. Raul Mandela, em entrevista à RFI, disse que os jovens não vão baixar os braços até que hajam mudança no país. " Não queremos imitar o Burquina Faso, mas os problemas são os mesmos".

Os professores do ensino básico e médio estiveram em massa numa contramanifestação convocada pelo Governo e a juventude do MPLA, em alusão ao dia do educador.

Leonel Gomes, secretário executivo nacional da CASA CE

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