Angola

Advogado angolano diz não ter sentido 30 dias de prisão contra Rafael Marques

Capa do livro "Diamantes de sangue : corrupção e tortura em Angola" de Rafael Marques.
Capa do livro "Diamantes de sangue : corrupção e tortura em Angola" de Rafael Marques. DR

O ministério público angolano, requereu, neste dia, 25 de maio, uma pena de prisão de 30 dias, para o jornalista, Rafael Marques, quando já tinha havido um acordo, no processo de difamação, de que era acusado, por generais angolanos.

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A decisão do ministério público angolano, requerendo 30 dias de prisão, para o jornalista, Rafael Marques, escritor e activista angolano dos direitos humanos, no processo, que o opõe, a generais e empresas angolanas de diamantes, apanhou quase toda a gente de surpresa;.

É que a semana passada, as partes, tinham chegado, a acordo, para deixar cair as acusações de difamação imputadas, a Rafael Marques, por alguns generais angolanos, que operam no sector diamantífero, que deixaram, inclusivamente, de exigir indemnizações, ao jornalista e escritor angolano.

Nas recentes alegações finais do julgamento,  os generais, consideraram, que o jornalista Rafel Marques, no seu livro de 2011, "Diamantes de sangue : corrupção e tortura em Angola", não teve a intenção de difamar,  e que abandonavam a continuação do processo, deixando cair, as indemnizações, reclamadas, ao igualmente activista dos direitos humanos.

Em declarações, à agência noticiosaa portuguesa, Lusa, o jornalista Rafael Marques, denunciou uma "cilada" e prometeu dar combate ao Estado angolano.

 

Rafael Marques, jornalista, escritor e activista dos direitos humanos à Agência noticiosa Lusa

Por seu lado, David Mendes, Advogado, de Rafael Marques, reagiu, em entrevista  à RFI, dizendo, que "o ministério público angolano, tomou todos nós, de surpresa, incluindo, os advogados das empresas dos generais, porque nenhum dos generais,  nenhuma das empresas, pediu, qualquer tipo de condenação; todas elas, pediam, que se pussesse, termo, ao processo (...).

(...) Então, não encontramos, uma base legal [da decisão do ministério público], porque, se não há, intenção  criminosa, não pode haver crime (...);  nós já deixamos claro, que a qualquer medida condenatória, nós vamos interpor recurso". A sentença, está prevista para a próxima quinta-feira.

Na mesma entrevista, o Advogado angolano, David Mendes, que acompanha o caso da seita religiosa "Sétimo Dia a Luz do Mundo", de José Julino Kalupeteka, declarou que, por estar ocupado, com a defesa de Rafael Marques, não pôde deslocar-se, esta segunda-feira, 25 de maio, ao Huambo, para preparar, a defesa desse líder religioso.

David Mendes, Advogado do Jornalista Rafael Marques e de Kalupeteka, chefe duma seita religiosa proíbida em Angola

 Recorda-se, que Kalupeteka, é acusado, pelas autoridades angolanas, de liderar uma seita religosa, proíbida por lei, e de manter crianças isoladas e em regime de quase rapto, impedindo-as, de frequentar, escolas públicas.

Foi, aliás, quando a polícia angolana, tentava capturar Kalupeteca, que durante uma troca de tiros, 7 polícias foram mortos, enquanto, as forças policiais, matavam, centenas de membros, da seita, o que já foi, denunciado, como "genocídio", por associações dos direitos humanos e pela Unita, o principal partido da oposição, que exigiu, um inquérito internacional.

Mas, as autoridades angolanas,  têm recusado, abrir esse inquérito, e anunciado, apenas, quase duas dezenas de mortos. Ao mesmo tempo, proíbiram o acesso, ao local do drama, em Caála, no Huambo,  e prenderam o líder da seita religiosa, José Julino Kalupeteka.

 

 

 

 

 

 

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