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Marrocos

Marrocos indignado com a dramática morte de um vendedor de peixe

Funeral de Mouhcine Fikri, no domingo passado
Funeral de Mouhcine Fikri, no domingo passado REUTERS/Stringer
Texto por: Liliana Henriques
4 min

A indignação é o sentimento que continua a predominar em Marrocos uma semana depois da morte de Mouhcine Fikri, vendedor de peixe de cerca de 30 anos, que faleceu moído num camião do lixo, na localidade de Al Hoceima, no norte do país quando estava a tentar recuperar no referido veículo a mercadoria que a polícia tinha acabado de lhe apreender para a destruir. Esta morte filmada em vídeo deu a volta das redes sociais e gerou uma onda de emoção pelo país fora.

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Milhares de pessoas participaram em silêncio no funeral do comerciante no domingo passado e no dia seguinte, outros milhares de pessoas manifestaram em Al Hoceima, local do drama, mas igualmente noutras cidades do país, nomeadamente Rabat, a capital. Na terça-feira, cerca de 20 pessoas foram ouvidas, 11 acabando por comparecer perante um juiz por "falsificação de documentos e homicídio involuntário". Trata-se nomeadamente de dois agentes policiais e de alguns responsáveis dos serviços de pescas locais.

De acordo com o que já se sabe sobre o sucedido, Mouhcine Fikri tinha na sua posse espadarte, um peixe cuja captura é proibida nesta altura do ano. As forças da ordem apreenderam-lhe a mercadoria e quando se preparavam para destruí-la no camião do lixo, o vendedor tentou impedi-los subindo para cima do veículo, dando-se o desfecho que se conhece. O que ainda não revela o inquérito são as circunstâncias que fizeram com que o mecanismo do camião entrasse em funcionamento. Certos elementos da investigação indicam que poderá ter havido uma instrução para que se accionasse esse mecanismo.

Ao referir que falta precisamente esclarecer esse aspecto, Raúl Braga Pires, especialista dos países árabes, considera que não se pode comparar este episódio com outro semelhante que tem voltado à tona nos últimos dias, a imolação pelo fogo de um vendedor ambulante na Tunísia em finais de 2010 que provocou as revoluções árabes. Este analista prefere comparar o movimento de indignação que se verifica actualmente em Marrocos com a reacção suscitada em Agosto de 2013 pela decisão de Mohamed VI agraciar um pedófilo espanhol, Daniel Galvan Viña, que estava preso em Marrocos. Na altura, a indignação foi tal que o Rei de Marrocos teve que voltar atrás na sua decisão.

Raúl Braga Pires, especialista dos países árabes

 

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