África

Costa de Marfim: Legislativas com forte abstenção no sul

Operação de voto em Abidjan 18 de dezembro
Operação de voto em Abidjan 18 de dezembro REUTERS/Thierry Gouegnon

Cerca de 6,2 milhões de marfinenses votaram no domingo 18 para eleger a nova assembleia após uma campanha que decorreu num ambiente relativamente normal, mas sem entusiasmo devido nomeadamente à fraca participação nas regiões do sul do país.

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1337 candidatos (entre eles mais de 200 mulheres) concorriam para os 255 assentos do Parlamento. Trata se de um escrutínio de uma alta importância tendo em conta que contou pela primeira vez com a participação de dissidentes do FPI, o maior partido da oposição do ex-presidente Laurent Gbagbo, que boicotou as ultimas eleições depois da guerra civil de 2010 – 2011 que vitimou cerca de três mil pessoas.

O Rassemblement des Houphouétistes Pour la Démocratie et la Paix ( RHDP-União dos Houphouetistas para a Democracia e a Paz), coligação que apoia o Presidente Ouattara, visa obter a maioria absoluta na Assembleia da Costa do Marfim, uma expectativa confirmada pela fraca participação dos eleitores de Abidjan.

Embora os analistas esperassem uma alta participação nas zonas norte, a taxa de abstenção era significativa na parte sul da Costa de Marfim como foi o caso na capital económica onde a meio do dia a participação oscilava entre 6 e 15%. Apesar do clima normal neste escrutínio que decorre numa só volta, os cidadãos do sul preferiram ficar em casa.

Apesar de uma forte mediatização, o bairro residencial de Cocodi de Abidjan, onde a actual ministra da Comunicação, Affoussiata Bamba-Lamine enfrentará Yasmina Ouegnin, filha de Georges Ouegnin, que marcou a vida política da Costa do Marfim entre 1960 e 2000, como chefe do protocolo da presidência, também não atraíu os votantes.

Se os resultados parecem sem equívoco a favor dos partidários de Alassane Ouattara, a comissão eleitoral só comunicará os resultados finais num prazo de cinco dias.

O antigo presidente Gbagbo foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional em Haia de crimes contra a humanidade cometidos durante os confrontos violentos que se seguiram às eleições de 2001 e à vitória do rival e actual presidente Alassane Ouattara. Desde então, permaneceu sempre excluído do processo político no país que permanece dividido e ainda não recuperou completamente da crise.

No final de Outubro, a oposição apelou ao boicote a uma consulta popular sobre uma nova Constituição. Um referendo controverso a que muita gente se opunha. Apesar da aprovação do novo texto, apenas 40% dos eleitores foram votar.
 

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