Gâmbia

Gâmbia: Yahya Jammeh recusa deixar o poder

Presidente cessante da Gâmbia, Yahya Jammeh. 28 de Março de 2014.
Presidente cessante da Gâmbia, Yahya Jammeh. 28 de Março de 2014. ISSOUF SANOGO / AFP

Yahya Jammeh, presidente cessante da Gâmbia e derrotado nas eleições presidenciais de 1 de Dezembro, afirma que não vai deixar o poder. Jammeh alega erros da Comissão Eleitoral, apesar de ter inicialmente reconhecido a vitória de Adama Barrow.

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“Não partirei”, resumiu esta terça-feira à noite, na televisão, Yahya Jammeh, presidente cessante da Gâmbia e derrotado nas eleições presidenciais de 1 de Dezembro. O dirigente declarou, ainda, que a tomada de posse de Adama Barrow, prevista para 19 de Janeiro, não vai acontecer.

Jammeh, há 22 anos no poder, afirmou que não deixa o poder antes de a Justiça se pronunciar sobre o recurso que o seu partido apresentou para anular o escrutínio. O presidente cessante apontou alegados erros da Comissão Eleitoral e pediu a anulação dos resultados que davam uma vantagem de 19.000 votos para Adama Barrow.

O recurso foi apresentado a 13 de Dezembro, no mesmo dia em que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) enviou para Banjul uma missão de quatro chefes de Estado para convencer Jammeh a deixar o poder. Em vão.

A CEDEAO voltou a pronunciar-se sobre a situação na Gâmbia na cimeira de 17 de Dezembro, na Nigéria, na qual voltou a pedir ao presidente cessante para reconhecer a derrota e não pôr em causa uma transferência pacífica do poder para Adama Barrow.

Durante esta cimeira, os dirigentes oeste-africanos decidiram “garantir a segurança e protecção” de Adama Barrow e deslocar-se a Banjul a 19 de Janeiro para a sua tomada de posse, dia em que expira o mandato do presidente cessante. Jammeh acusa a CEDEAO de violar os textos sobre a não ingerência nos assuntos internos dos seus estados-membros.

Yahya Jammeh tinha reconhecido, perante as câmaras de televisão, a vitória do seu adversário um dia depois das eleições, a 2 de Dezembro, mas uma semana mais tarde, a 9 de Dezembro, voltou atrás com o pretexto dos alegados erros da Comissão Eleitoral.
 

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