PORTUGAL

Portugal: Mário Soares e a descolonização

Caixão com corpo de Mário Soares aplaudido a 10 de Janeiro de 2017 frente à Assembleia da República em Lisboa.
Caixão com corpo de Mário Soares aplaudido a 10 de Janeiro de 2017 frente à Assembleia da República em Lisboa. Reuters

Mário Soares defendeu sempre o processo de descolonização, apesar das críticas que durante décadas lhe foram dirigindo muitos dos que retornaram das colónias – sobretudo de Angola e de Moçambique – deixando em África todos os seus bens. 

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Menos de um mês depois do 25 de Abril, Soares defendia à imprensa norte-americana a “independência pura e simples” das colónias... E quando se torna Ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Provisório inicia as conversas com as diferentes forças de guerrilha que, no terreno, já combatiam o colonizador.

Em Setembro de 1974, a Guiné Bissau assina com Lisboa o acordo de independência, apesar da enorme resistência do poder militar português de então.

Em Janeiro seguinte é a vez de Angola, mas estala no país uma guerra civil que é replicada noutros países do então findo Império Português.

As Nações Unidas defendiam que fossem realizados referendos sobre o modelo de governação a adoptar nos futuros estados independentes. Soares rejeitava e defendia a independência.

O antigo Presidente da República admitiu, na sua biografia oficial, que “pensava ser possível avançar gradualmente, envolvendo as populações negras, mestiças e brancas”...

Mas afirmou, então, que o Movimento das Forças Armadas, responsável pelo 25 de Abril, privilegiou sempre as guerrilhas de libertação de Angola e de Moçambique e que o poder político – ele próprio, Soares –, apesar de convicto de que “poderia solucionar melhor do que os outros” o processo de descolonização, “com menos estragos para o país”, não conseguiu fazê-lo.

Foi “a descolonização possível”, admitiu Soares: Portugal estava perdendo a guerra colonial em todas as frentes, e nada pôde fazer para evitar as guerras civis nas nações independentes; E quanto ao atribulado regresso de dezenas de milhares de portugueses, defendeu que o que sucedeu foi “um milagre”.

Com a colaboração de João Pedro Vitória em Lisboa.
 

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