França

Macron defende que "deixou de haver política africana da França"

Emmanuel Macron, Presidente de França. Universidade de Ouagadougou, Burkina Faso, 28 de Novembro de 2017.
Emmanuel Macron, Presidente de França. Universidade de Ouagadougou, Burkina Faso, 28 de Novembro de 2017. LUDOVIC MARIN / POOL / AFP

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse hoje, na Universidade de Ouagadougou, no Burkina Faso, que “deixou de haver política africana da França". Macron disse querer virar várias páginas históricas, nomeadamente a da colonização, marcada por “crimes incontestáveis”.

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O discurso durou cerca de uma hora e quarenta minutos e foi seguido de uma sessão de perguntas e respostas com a audiência.

Na introdução, Emmanuel Macron avisou logo que “deixou de haver uma política africana da França”.

Não vim aqui para fazer um discurso para abrir uma nova página na relação entre a França e África. Não vim aqui para vos dizer qual é a política africana de França porque deixou de haver uma política africana da França. Há uma política que podemos conduzir, mas há sobretudo um continente que devemos olhar de frente”, afirmou o presidente francês na introdução.

Emmanuel Macron considerou que não há uma África lusófona, nem uma África francófona ou uma África anglófona, mas uma África simplesmente.

Macron disse querer virar várias páginas históricas, nomeadamente a da colonização marcada por “crimes incontestáveis”.

Sou de uma geração de franceses para quem os crimes da colonização são incontestáveis. Sou de uma geração que não diz à África o que deve fazer. Sou de uma geração para quem África não é nem um incómodo passado nem uma linha de armistício”, continuou.

O discurso ficou, também, marcado pela Líbia, com a recente divulgação de imagens pela CNN da venda de migrantes como escravos naquele país. Relativamente a essa problemaática, o Presidente francês anunciou a sua intenção de propôr uma acção conjunta. Ao qualificar esta ocorrência de"Crime contra a Humanidade", Emmanuel Macron disse que vai "propor amanhã em Abidjan durante a cimeira que vai reunir a Europa com África juntamente com o Presidente Ouattara e o presidente Condé uma iniciativa Euro-Africana para pôr termo a esta estratégia levada a cabo por todos aqueles que pretendem a nossa destruição, a estratégia dos terroristas, dos traficantes de armas e de seres humanos que conduzem à tragédia à qual assistimos".

Presidente Macron com tradução de Leonardo Silva

Referindo-se a outra questão, a ajuda pública ao desenvolvimento, Emmanuel Macron defendeu outro modelo."Gostaria que reflectíssemos nos próximos meses em conjunto talvez sobre uma nova denominação, uma nova filosofia, novas modalidades de acção como o que fizemos juntos relativamente à "aliança para o Sahel", ou seja saber dotar-nos de uma ajuda pública ao desenvolvimento mais específica, mais eficiente, mais em contacto com as necessidades do terreno, por vezes com menos intermediários na nossa organização e com uma maior cultura - a nível colectivo- da avaliação", declacou o Presidente francês antes de acrescentar que"por vezes a ajuda pública ao desenvolvimento não responde às necessidades, ela agrada a governos franceses ou africanos. É um método errado. Se for eficaz, temos de continuar. Se não o for, é preciso orientá-la para projectos no terreno."

Presidente Macron com tradução de Leonardo Silva

Neste longo discurso em que o Presidente francês aludiu ainda à luta contra o terrorismo, educação e restituição do património artístico a África, Emmanuel Macron também declarou desejar que as empresas francesas que se implantam no continente tenham um posicionamento mais ético, recusando a corrupção e respeitando as regras impostas pelos respectivos países.

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