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Argélia

Adiada eleição presidencial na Argélia sob botas do exército

Adiado de novo eleições presidenciais na Argélia, controlada por militares
Adiado de novo eleições presidenciais na Argélia, controlada por militares RYAD KRAMDI / AFP
Texto por: João Matos
7 min

Na Argélia, o conselho constitucional, considerou ontem impossível a realização da eleição presidencial a 4 de Julho e rejeitou as duas condidaturas em liça, para substituir, Abdel aziz Bouteflika, que se demitiu a 2 de Abril passado. O chefe de estado maior general das forças armadas, general Ahmed Gaïd Salah, o verdadeiro homem forte do regime, apelou a um consenso e ao diálogo. 

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Argélia não está em condições de organizar eleições presidenciais a 4 de julho próximo, como estava previsto, decidiu o conselho constitucional, prolongando assim, a permanência no poder do presidente interino, Abdelkader Bensalah.

Bensalah, substituiu o ex-presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, forçado a abandonar o poder pelas manifestações de rua denunciando o seu regime autoritário. 

Mas o actual presidente interino, Bensalah, devia ficar à frente do país, apenas 90 dias, o tempo de se organizar eleições presidenciais, marcadas para 4 de julho, e agora adiadas pela jurisdição constitucional.

Aiás o Conselho constitucional, não só anulou "de facto" o escrutínio presidencial, como invalidou as candidaturas dos dois únicos candidatos.

"O conselho constitucional, rejeita as duas candidaturas e anuncia por conseguinte a impossibilidade de realizar a eleição presidencial de 4 de julho, indicou a instituição judicial num comunicado.

Adiar eleições não conforta manifestantes

Este adiamento das eleições é uma vitória para os manifestantes que não as queriam ver realizadas a 4 de julho, continuando a pedir a queda de todo o sistema.

Mas, as manifestações de rua, não obtiveram o desmantelamento do sistema e a figura simbólica é o chefe do estado maior, general Ahmed Gaïd Salah, o verdadeiro homem forte do regime, que pediu calma no país.

"Adiar estas eleições é uma vitória para os manifestantes, uma vitória de alto risco", reagiu, Hasni Abidi, director do Centro de estudos e de investigação sobre o Mundo árabe e mediterrânico em Genebra.

"Com esta decisão o poder entra por uma via que não controla. O exército quer mostrar que demonstrou bom senso e fez uma concessão à rua intransigente", explicou o especialista.

Mas, na verdade, os militares querem paralisar os manifestantes e a classe política, que deixarão de ter pretexto para protestar nas ruas.

O general Ahmed Gaid Salah, que oficializa assim a sua posição de verdadeiro detentor do poder, desde a queda de Bouteflika, reclamou a semana passada "concessões mútuas" no quadro de um "diálogo". 

Os militares estão apostados no cansaço dos manifestantes, durante as férias de Verão, adiando estas eleições, sem que o conselho constitucional, tenha anunciado uma nova data e o quadro das candidaturas.

De notar que os militares não queriam mais que duas candidaturas, enquanto os manifestantes exigiam eleições verdadeiramente pluralistas com mais candidaturas e a queda de todo o sistema, logo do próprio general, Gaid Salah.

Outra reivindicação dos manifestantes posta de lado era a Assembleia constituinte. 

Conclusão: tudo volta à estaca zero, com os militares todos no poder, o conselho constitucional ao serviço do general Gaid Salah e os manifestantes contentes com o adiamento das eleições de 4 de julho, mas descontentes, porque, não foi avançada uma nova data e suas reivindicações ficam para as calendas gregas !

Eleições presidenciais adiadas de novo na Argélia

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