EUA/México

Obama e Calderón fecham acordo sobre tráfego na fronteira

Encontro dos presidentes Barack Obama e Felipe Calderón.
Encontro dos presidentes Barack Obama e Felipe Calderón. Reuters

Os governos dos Estados Unidos e do México anunciaram um acordo para resolver um conflito sobre o tráfego de caminhões entre os dois países. Os caminhoneiros mexicanos poderão cruzar a fronteira além de áreas definidas pelos americanos. Depois de semanas de um certo estresse diplomático, os dois líderes encerraram o encontro com trocas de elogios e promessas.

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Cleide Klock, correspondente da RFI em Nova York

A violência no México e principalmente na fronteira com Estados Unidos é quase uma guerra não declarada, que deixa vítimas diariamente. O tráfico de drogas, de armas e de pessoas já fez mais de 36 mil vítimas, entre elas 2 mil agentes policiais, em quatro anos, desde que Felipe Calderón assumiu o cargo de presidente. E foi para resolver essas questões de vizinhança que o presidente mexicano e Barack Obama ficaram reunidos por mais de três horas.

O encontro foi para atenuar críticas feitas na semana passada por Calderón. O mexicano acusou Washington de prejudicar os esforços mexicanos no combate ao narcotráfico. Porém, pelo menos na frente dos jornalistas, ele não repetiu suas queixas, e Obama, de certa forma, assumiu o “mea culpa” dizendo que “os Estados Unidos estão muito conscientes de que a batalha que o presidente Calderón está travando dentro do México não é apenas uma batalha dele, também é nossa", declarou o presidente americano. Obama disse que os Estados Unidos "têm de assumir a responsabilidade" como Calderón também assumiu. Entre os policiais mortos nos últimos meses, boa parte são agentes alfandegários americanos. O último desses casos aconteceu no dia 15 de fevereiro. Sequestros têm se espalhado também para o lado norte-americano da fronteira.

Apesar de Obama ter dito que é preciso fazer mais e melhor, ele não divulgou nenhuma nova medida ou estratégia. Disse, no entanto, que os Estados Unidos estão colocando uma "pressão sem precedentes" sobre os cartéis.

Os dois chefes de Estado selaram o compromisso de aumentar a luta contra o narcotráfico e Obama anunciou a intenção de desbloquear a passagem de caminhões mexicanos aos Estados Unidos, o que prejudica um comércio bilateral de bilhões de dólares. O programa foi suspenso há quase dois anos pelo Congresso americano e na época o México deu como resposta o aumento de tributos aos produtos que saem dos Estados Unidos.

O encontro dos presidentes americano e mexicano deixou no ar várias promessas, que na prática precisam de autorização parlamentar dos dois lados da fornteira. Calderón se mostrou disposto a estudar alternativas para aumentar a segurança dos agentes americanos no México, mas reconheceu que deve consultar seu Congresso, o mesmo que Obama precisa fazer com o desbloqueio do programa experimental para os caminhoneiros.

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