Escândalo/PIP

Argentinas querem que UE pague a retirada do silicone defeituoso

Mulheres argentinas vítimas de implantes mamários defeituosos da marca francesa PIP criaram o coletivo "Afectadas", para fazer valer seus direitos.
Mulheres argentinas vítimas de implantes mamários defeituosos da marca francesa PIP criaram o coletivo "Afectadas", para fazer valer seus direitos. YouTube

Um grupo de 500 mulheres argentinas portadoras dos implantes mamários da marca francesa PIP pedem a criação de um fundo europeu de indenização para a retirada das próteses defeituosas. Segundo Virginia Luna, representante do grupo, cerca de 15 mil argentinas são usuárias dos implantes PIP.

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A associação "Afectadas", que representa 500 argentinas usuárias das próteses PIP, decidiu apresentar na França uma denúncia conjunta contra a empresa francesa Poly Implant Prothèse. O advogado da associação Ari Alim disse que as mulheres temem que a empresa seja declarada insolvente ao fim do processo judicial e não indenize as vítimas, especialmente aquelas provenientes de países que se negam a financiar a cirurgia de retirada como é o caso da Argentina.

O advogado responsabiliza a "legislação europeia sobre os dispositivos médicos" por ter permitido que implantes defeituosos fossem exportados para todo o mundo. Alim e os demais representantes da associação pediram um encontro com o ministro francês da Saúde e com as autoridades europeias para conversar sobre a ideia da criação do fundo não somente para o caso PIP, mas para todos os escândalos de saúde pública.

França

Na França, foram registrados 20 casos de câncer entre as usuárias dos implantes PIP, mas até o momento não foi confirmada nenhuma relação causa-efeito. No entanto, as autoridades francesas recomendam que as 30 mil mulheres afetadas procurem seus médicos e façam a retirada das próteses defeituosas.

Nesta quinta-feira, o deputado francês Gérard Bapt pediu ao ministro da Saúde Xavier Bertrand que a retirada em massa das próteses de silicone seja discutida nas instâncias europeias, para suspender assim o reembolso dos custos da cirurgia pela França. Ele defende a ideia de que todos os géis de silicone são potencialmente prejudiciais à saúde, evocando o relatório do FDA (órgão regulador americano) que aponta um risco até 50 vezes maior do desenvolvimento "de uma forma muito rara de linfoma de mama" pelas portadoras de implantes de silicone.

Brasil

Nesta quarta-feira, a Anvisa cancelou o registro das próteses da marca holandesa Rofil. Esta é a segunda marca de próteses de silicone proibida no Brasil depois da PIP. A fabricação dos implantes Rofil foi terceirizada pela empresa PIP, que admitiu utilizar silicone industrial de qualidade inferior ao silicone de uso médico.

México

A Associação Mexicana de Cirurgia Plástica declararou que 4.500 implantes PIP foram colocados entre 1994 e 2010 em mulheres mexicanas, mas nenhum caso de câncer ou anomalia foi registrado. O presidente da Associação declarou estar consciente da gravidade do problema, mas diz preferir não ceder ao "pânico e a histeria" como julga estar acontecendo na França e na Venzuela.

 

 

 

 

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