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EUA / Crime

Protesto contra morte de jovem negro deve reunir milhares

Americanos fazem vigília para protestar contra a morte do jovem Trayvon Martin, na Flórida.
Americanos fazem vigília para protestar contra a morte do jovem Trayvon Martin, na Flórida. REUTERS/David Manning
Texto por: RFI
3 min

Milhares de pessoas devem participar hoje de um protesto em Sanford, na Florida (EUA), para pedir a prisão do homem acusado da morte do adolescente negro Trayvon Martin, 17 anos. O caso ocorreu há exatamente um mês e acabou virando assunto da campanha presidencial no país devido aos desdobramentos em temas como racismo, armas e justiça.

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No dia 26 de fevereiro, Martin, 17 anos, foi morto por um vigilante, George Zimmerman, de 28 anos, branco e de origem peruana. A morte ocorreu quando o jovem caminhava encapuzado em direção à casa de uma amiga de seu pai, depois de comprar alguns doces. Martin levantou as suspeitas de Zimmerman, segurança de um condomínio fechado em Sanford, na periferia de Orlando, por razões ainda não esclarecidas. A polícia deteve o guarda para interrogatório mas o deixou em liberdade, sem acusações, após alegar ele que havia atirado em defesa própria.

Martin, no entanto, estava desarmado e as gravações da polícia divulgadas na semana passada não registraram ameaça alguma, o que despertou a ira da comunidade afro-americana no país e abriu um sensível debate. "Esperamos uma participação massiva para exigir justiça, a prisão de George Zimmerman, e para recordar que este tipo de situação não pode ficar impune", disse Rashad Robinson, diretor executivo da associação de defesa dos direitos civis ColorOfChange.org, que organiza o protesto.

O grupo separatista Partido Novas Panteras Negras, dos Estados Unidos, ofereceu no sábado US$ 10 mil de recompensa pela captura de George Zimmerman. Dezenas de seguidores da organização, conhecida por suas siglas NBPP, protestaram pela terceira vez em uma semana diante da delegacia de polícia de Sanford, centro da Flórida, no sábado, e publicaram em seu site uma foto de Zimmerman com a frase: "procurado pela morte/ crime de ódio de Trayvon Martin".

Segundo o jornal Orlando Sentinel, os ativistas pretendem mobilizar 5 mil seguidores para ajudar a capturar Zimmerman. A polícia de Sanford estar a par do protesto do grupo NBPP, mas desconhece o pedido de captura de Zimmerman.

Reações na campanha presidencial

A polêmica chegou ao ponto de o presidente Barack Obama se manifestar. Ele classificou o caso como uma “tragédia”. “Eu não consigo imaginar o que estão passando os pais de Trayvon”, disse Obama. “Se eu tivesse um filho, ele seria parecido com ele”, comentou.

Os opositores republicanos imediatamente condenaram as declarações. Rick Santorum, um dos pré-candidatos do partido para as eleições presidenciais de novembro, acusou Obama de “politizar” o caso. “Um presidente dos Estados Unidos deve tentar unir o povo, e não utilizar um caso horrível como este para jogar os americanos uns contra os outros”, atacou o ultraconservador.

“As palavras pronunciadas pelo presidente são escandalosas”, denunciou Newt Gingrich, outro pré-candidato republicano. “Por acaso o presidente sugere que se um jovem branco tivesse sido morto, o caso não seria tão grave porque ele não se pareceria com ele (Obama)?”, questionou Gingrich.
 

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