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EUA/ Cleveland

Ariel Castro pode pegar pena de morte por sequestros em Cleveland

Ariel Castro manteve-se calado durante a curta audiência, em Ohio.
Ariel Castro manteve-se calado durante a curta audiência, em Ohio. REUTERS/John Gress
Texto por: RFI
4 min

O americano de origem porto-riquenha Ariel Castro compareceu nesta quinta-feira a um tribunal de Ohio (norte) para enfrentar acusações de estupro e sequestro de Amanda Berry, 27, Gina DeJesus, 23, e Michelle Knight, 32, mantidas em cativeiro em sua residência, em Cleveland, durante uma década. O procurador Timothy McGinty disse que o suspeito pode ser condenado à pena de morte.

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O acusado de 52 anos, um ex-motorista de ônibus escolar, não se pronunciou durante a audiência, durante a qual permaneceu de pé e algemado, olhando para o chão. Ele evitou os olhares dos presentes e não manifestou qualquer reação quando as acusações contra eles foram citadas. O tribunal ditou uma fiança de oito milhões de dólares, o que fará com que Castro permaneça preso. Ao ouvir o valor, sua advogada de defesa, Kathleen DeMetz, comentou que Castro recebe seguro desemprego e não tem como pagá-lo. O acusado não tem condenações anteriores por delitos graves. Os dois irmãos dele, que haviam sido detidos junto com Ariel na segunda-feira, foram soltos hoje por falta de indícios contra eles.

O promotor do caso, Brian Murphy, destacou que as acusações contra Ariel Castro "baseiam-se em decisões premeditadas do sequestro de três jovens mulheres das ruas de South Side de Cleveland". "Duas das vítimas sofreram uma experiência horrenda durante mais de uma década, a terceira por quase uma década, e a dura experiência resultou numa menina que, aparentemente, nasceu durante o cativeiro de uma das mulheres", acrescentou.

"E, além disso, junto com o cativeiro, houve repetidas agressões. Foram atacadas e abusadas sexualmente, basicamente sem jamais serem livres para deixar a residência", assinalou. A juíza do tribunal municipal, Lauren Moore, fixou os termos da fiança e instruiu para que Castro não tenha contato algum com suas supostas vítimas.

Já o procurador Timothy McGinty, que também acompanha o caso, disse que diante de tais acusações o réu pode ser condenado a pena de morte, principalmente se ficar provado que ele provocou abortos nas vítimas. Segundo ele, as leis de Ohio preveem esse tipo de punição “para os criminosos mais perversos”.

Depois da audiência, a advogada disse aos jornalistas que seu cliente corria o risco de cometer suicídio e que deveria ser colocado sob vigilância especial quando for levado para a prisão do condado.

Predador sexual

Um bilhete datado de 2004 foi encontrado na casa de Ariel Castro, no qual ele se define como um "predador sexual", informou a imprensa americana. O repórter investigativo de uma TV local, Scott Taylor, em seu Twitter informou que o bilhete estava entre dezenas de provas que a polícia recolheu na casa de dois andares, que serviu de cativeiro.

"Sou um predador seuxal. Preciso de ajuda", dizia o bilhete, segundo Taylor. Em uma aparente referência às reféns, a nota prossegue: "Elas estavam aqui contra a vontade delas porque cometeram o erro de entrar num carro com um total estranho". "Eu não sei por que continuo procurando por outra. Eu já tenho duas em minha posse", acrescenta o texto.

Taylor disse que Castro também teria escrito sobre querer cometer suicídio e deixar "todo o dinheiro que poupei para minhas vítimas". O chefe adjunto da polícia de Cleveland, Ed Tomba, teria confirmado a existência dessa nota quando indagado pela imprensa. "Essa é uma das provas que recuperamos e que não podemos comentar. Existem mais de 200 itens tirados da casa na Avenida Seymour. Todos esses itens serão processados", afirmou.
 

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