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Venezuela/Protestos

Centenas de milhares vão às ruas em protestos convocados por oposição e governo na Venezuela

Partidários da oposição venezuelana protestam contra o governo de Nicolás Maduro neste sábado (22).
Partidários da oposição venezuelana protestam contra o governo de Nicolás Maduro neste sábado (22). Reuters
Texto por: RFI
3 min

Centenas de milhares de opositores e de partidários do governo chavista de Nicolás Maduro foram neste sábado (22) às ruas de Caracas e de várias cidades do interior em manifestações pela paz. O país está sendo sacudido há mais de duas semanas por protestos que já deixaram uma dezena de mortos.

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Na região leste de Caracas, onde se concentram moradores de maior poder aquisitivo, ao menos 50 mil pessoas responderam ao chamado do governador e ex-candidato à presidência Henrique Capriles, principal personalidade da oposição.

Os manifestantes exigem o desarmamento de grupos armados não identificados, mas acusados de serem próximos do poder, que agem durante os protestos. Eles também denunciam a péssima situação econômica do país.

Já no centro da capital, um bastião de partidários do chavismo, dezenas de milhares de pessoas vestidas de vermelho e branco, com flores nas mãos, participam da passeata "das mulheres pela paz e pela vida", denunciando a violência e os prejuízos causados durante as manifestações de estudantes e opositores que acontecem em todo o país desde o início de fevereiro. Elas foram qualificadas pelo presidente Nicolás Maduro de "golpe de Estado em curso".

Até o final da tarde deste sábado, não havia incidentes registrados.

Movimento de estudantes

Iniciado no dia 4 de fevereiro na cidade de San Cristobal (oeste) depois que uma estudante sofreu uma tentativa de estupro no campus universitário, o movimento de estudantes se estendeu a todo o país. Às primeiras reivindicações sobre a insegurança, somaram-se protestos contra a alta do custo de vida e as péssimas condições econômicas.

Os estudantes beneficiam do apoio da oposição ao presidente Maduro, reunida na coalizão da Mesa de União Democrática.

A resposta entusiasta ao seu apelo permite ao governador do Estado de Miranda (o mais populoso do país), Henrique Capriles, retomar o controle de uma oposição que nas últimas semanas havia deixado o campo livre para suas facções mais radicais.

Representadas sobretudo por Leopoldo López, colocado em detenção provisória nesta semana por depredação e associação criminosa, elas preconizam a ocupação das ruas para obter a queda do governo, com a palavra de ordem "La Salida".

Política externa

No plano internacional, Nicolás Maduro fez um gesto de conciliação na direção dos Estados Unidos. Principais parceiros comerciais da Venezuela, os americanos são regularmente acusados de alimentarem a turbulência social.

O presidente venezuelano convidou Barack Obama a dialogar e propôs nomear novamente embaixadores entre os dois países. Em resposta, o secretário de Estado americano John Kerry criticou o uso "inaceitável" da violência contra os manifestantes, o que Caracas qualificou de "apelo a atacar o povo" venezuelano.

Segundo dados oficiais, até agora os protestos, que algumas vezes se transformaram em confrontos entre grupos radicais e forças de segurança, já deixaram 10 mortos, quase 140 feridos e cerca de cem pessoas presas.

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