Estado Islâmico/Refém

Mãe de jornalista refém de jihadistas na Síria faz apelo pela vida do filho em vídeo

Imagens do vídeo no qual os radicais do Estado Islâmico ameaçam assassinar o jornalista norte-americano, Steven Sotloff.
Imagens do vídeo no qual os radicais do Estado Islâmico ameaçam assassinar o jornalista norte-americano, Steven Sotloff. REUTERS/Social Media Website via REUTERS TV

Em um vídeo divulgado na quarta-feira (27) pela mídia norte-americana, Shirley Sotloff, mãe do jornalista Steven Sotloff, mantido refém pelos jihadistas do grupo Estado Islâmico na Síria, faz um apelo pela vida do filho. O repórter foi ameaçado de morte pelos radicais na semana passada, no mesmo vídeo em que seu colega, o também jornalista norte-americano James Foley, foi decapitado.

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Visivelmente abalada, Shirley Sotloff se dirige diretamente ao chefe do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, no vídeo. “Meu filho, Steven, está em suas mãos”, diz a norte-americana, explicando que o repórter viajou para o Oriente Médio para cobrir o sofrimento dos muçulmanos com os regimes “tiranos”. “Steven é um filho, irmão e um neto leal. Ele é um homem de honra que sempre tentou ajudar os mais fracos”, declara.

“Não o vimos há mais de um ano e nós sentimos muito a sua falta”, continua Shirley. “Você, califa, pode anistiá-lo. Eu peço, por favor, que liberte meu filho”, implora a mãe, explicando que Steven tem apenas 31 anos e nada mais é do que “um inocente jornalista”. “Queremos vê-lo em casa, são e salvo, e poder abraçá-lo”, diz.

Islã

Shirley também explica no vídeo que, desde que seu filho foi capturado pelo Estado Islâmico, ela começou a estudar o Islã. “Sei que o Islã prega que nenhum indivíduo deve ser responsabilizado pelo pecado do outros”, apela. A mãe do repórter também ressalta que Steven não tem nenhum poder de influência sobre as decisões do governo norte-americano.

“Como mãe, eu peço para que vocês sejam misericordiosos e que não punam meu filho por questões sobre as quais ele não pode exercer nenhum tipo de controle”, continua. “Eu só quero o que toda a mãe quer: viver para ver os filhos de meus filhos. Eu imploro para que vocês me dêem isso”, finaliza Shirley.

Até então, a mãe de Steven Sotloff pedia à mídia discrição sobre o sequestro, realizado há mais de um ano na Síria. Mas Shirley se disse desesperada ao assistir, na semana passada, a decapitação de James Foley. No mesmo vídeo divulgado pelos jihadistas, Sotloff aparece vestido com uma túnica alaranjada e dizem que ele será o próximo a morrer se os Estados Unidos não cessarem os bombardeios contra o Estado Islâmico no norte do Iraque.

Retorno dos reféns

A Casa Branca reagiu com prudência quanto ao vídeo realizado pela família Sotloff e divulgado pela mídia norte-americana. O porta-voz Josh Earnest respondeu que o governo está fazendo “tudo o que é possível para o retorno dos cidadãos mantidos reféns na região”.

Para Earnest, é compreensível que a mãe de Steven esteja desesperada quanto à segurança e o bem-estar de seu filho. “Nossos pensamentos e orações acompanham a família Sotloff neste momento difícil”, disse o porta-voz da Casa Branca.

Ontem, um ex-refém norte-americano, o jornalista freelance Peter Theo Curtis, de 45 anos, pôde retornar para sua cidade, Cambridge, na região de Boston, no nordeste dos Estados Unidos. Ele foi mantido em cativeiro pela Frente Al-Nosra, braço do grupo Al-Qaeda, durante 22 meses, mas teve sua libertação anunciada no último domingo.

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