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Banco Mundial/América Latina

Banco Mundial teme retrocesso das conquistas sociais na América Latina

Maior acesso à educação de alta qualidade é uma das prioridades para evitar o aumento da desigualdade social, segundo o Banco Mundial.
Maior acesso à educação de alta qualidade é uma das prioridades para evitar o aumento da desigualdade social, segundo o Banco Mundial. Reuters
Texto por: RFI
5 min

O Banco Mundial teme que sem investimento na educação e na produtividade, as conquistas sociais dos últimos anos na América Latina sofram um retrocesso. O alerta faz parte de um relatório divulgado pela instituição nesta terça-feira (7), em Washington. O estudo também preconiza que Brasil deve focar seus esforços mais em investimento e menos em consumo.

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Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

A América Latina corre o risco de ver o progresso social conquistado na última década começar a sofrer, e a única maneira de a região evitar um aumento da desigualdade é adotando uma visão de longo prazo e focando em maior acesso à educação de alta qualidade e maior produtividade, de acordo com o Banco Mundial. Sem essa mudança estrutural, vai ser difícil a região voltar a ver as taxas de crescimento altas registradas nos anos anteriores.

O estudo Latin America: Will Slower Growth Increase Inequality? (América Latina: A desaceleração do crescimento resultará em aumento da desigualdade?, em tradução livre) foi divulgado pela instituição, nesta terça-feira, durante a semana do encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Washington.

O Banco Mundial enfatiza que é preciso que a região não ceda à tentação de buscar uma solução rápida por meio de uma dívida pública alta, gastos públicos excessivos e se aproveitando de mercados líquidos e ávidos por lucro. A instituição salienta que a disciplina necessária para virar o jogo e voltar a ter crescimento deve vir da iniciativa dos líderes políticos da região, pois certamente não virá dos mercados.

O economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Augusto de la Torre, diz que manter um bom nível de emprego somente contribui com a redução da desigualdade social no curto prazo, mas é o acesso à educação de alta qualidade que realmente assegura uma menor discrepância social. Segundo ele, sem o acesso universal a uma educação de alta qualidade que gere mão-de-obra qualificada para atender às demandas do mercado global, o crescimento vai continuar desacelerado e a tensão vai aumentar. "A igualdade de oportunidades é a fundação para a igualdade social no longo prazo. Na América Latina, o acesso ao ensino de alta qualidade ainda é exclusivo às famílias privilegiadas”, diz o economista.

Em relação ao Brasil, o Banco Mundial diz que o país precisa focar mais em investimento e menos em consumo, ao mesmo tempo em que adota uma agenda política que desvende os obstáculos ao crescimento ao longo prazo, sem apenas pensar em ganhos políticos imediatos.

O Banco Mundial afirmou que toda a região precisa de maior dinamismo no investimento público e uma integração mais eficiente entre suas economias domésticas e a economia internacional. “Os latino-americanos precisam ser mais pacientes e começar a pensar como os asiáticos, visando metas ao longo prazo”, disse de la Torre. Segundo o economista, o desejo de a população ver resultados imediatos faz com que os políticos estejam mais predispostos a implementar soluções rápidas, porém de efeito temporário.

Novos desafios

Depois de uma década de boa gestão econômica com sólido progresso social, a América Latina se encontra em uma encruzilhada em relação o seu desenvolvimento futuro, segundo o Banco Mundial. Os economistas da instituição acreditam que, devido às perspectivas mais baixas de crescimento, a região agora enfrenta novos desafios que só podem ser vencidos com um aumento na produtividade.

Sem uma maior produtividade, o Banco Mundial diz que será difícil ter um crescimento regional acima de uma média de 3%. Isso impede a expansão dos avanços sociais alcançados com o boom econômico da última década, que tirou mais de 80 milhões de pessoas da pobreza.

A queda do preço de commodities, a desaceleração da taxa de crescimento da China e o anúncio da mudança da política monetária expansiva do Federal Reserve (instituição dos EUA equivalente a um Banco Central) contribuíram significativamente com o decepcionante crescimento regional, de aproximadamente 2% para 2014.

O México está sendo usado de exemplo para a região, pois os economistas acreditam que, no longo prazo, o país vai colher os frutos de suas reformas estruturais, que incluíram a abertura de seus setores de telecomunicação e energia. O FMI espera que o país tenha um crescimento de 2,4% em 2014 e de 3,5% em 2015, ficando acima da média da região.

Entre as economias com desempenho acima da média estão Panamá, Bolívia, Paraguai, Peru, Chile e Uruguai. Já a Venezuela, a Argentina e Barbados não terão crescimento econômico em 2014.

O FMI revisou para baixo a taxa de crescimento da maior economia da América Latina, prevendo que o Brasil expanda apenas 0,3% este ano e 1,4% em 2015.

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