Violência/EUA

Manifestantes farão mais protestos contra decisão de júri em Ferguson

Manifestantes nas ruas de Ferguson seguram cartaz com os dizeres: "A vida dos negros importa".
Manifestantes nas ruas de Ferguson seguram cartaz com os dizeres: "A vida dos negros importa". REUTERS/Eugene Garcia

A calma voltou à cidade de Ferguson, onde violentos protestos tomaram as ruas depois da decisão de um júri de não indiciar um policial branco que matou Michael Brown, um jovem negro desarmado. Novos protestos estão previstos para este sábado (29).  

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Apenas um grupo de pessoas manifestou ontem à noite em frente à delegacia de polícia da cidade, um número bem menor do que o dispositivo militar reforçado com mais de 2 mil homens enviados à Ferguson. A operação para evitar novos distúrbios continua durante o tradicional feriado de Ação de Graças, celebrado nesta quinta-feira (27) em todo o país.
Mas o clima de tensão permanece, já que muitos moradores da comunidade negra de Ferguson se irritaram com a entrevista concedida pelo policial Darren Wilson. Na televisão, ele declarou que foi atacado por Michael Brown, que atirou em “legítima defesa” e que estava com a “consciência tranquila”.

Para os pais da vítima, o relato de Darren Brown está muito distante da verdade. “Em primeiro lugar, meu filho respeitava a polícia. Em segundo lugar, que pessoa em sã consciência ousaria atacar um policial armado?”, disse Michael Brown Sr., pai do jovem assassinado. “Meu filho nunca faria uma coisa dessas”, disse a mãe Lesley McSpadden à imprensa americana. Ontem, os pais de Michel Brown foram para Nova York e rezaram com as famílias de dois negros que foram mortos recentemente pela polícia local.

Em entrevista à enviada RFI a Ferguson, Anne-Marie Capomaccio, a advogada de direitos humanos Andrea Ritchie lamentou o cenário de preconceito racial que ainda predomina nos EUA. “Isso é sistemático. Não há justiça para policiais que matam negros ou que cometam agressões sexuais contra pessoas de cor”, afirmou.

Novos protestos previstos para o sábado

Um militante dos direitos civis muito popular nos Estados Unidos, Al Sharpton, lançou uma jornada de manifestações por todo o país no próximo sábado. Russell Simmons, uma estrala do hip hop nos EUA, também organiza um protesto sob a forma de boicote. Ele pede que as pessoas não comprem durante a “Black Friday” amanhã, um dia de promoções que acontece após o Dia de Ação de Graças.

Os protestos violentos em Ferguson tiveram um outro impacto. Em cidades da região, houve aumento da venda de armas para clientes brancos. A média de armas comercializadas, que ficava entre 3 a 5 por dia, subiu para 20 ou 30.

 

 

 

 

 

 

 

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