Diplomacia

Cuba liberta presos políticos para cumprir acordo de reaproximação com EUA

Barack Obama e Raúl Castro retomam as relações entre os dois países
Barack Obama e Raúl Castro retomam as relações entre os dois países REUTERS/Kai Pfaffenbach

O governo de Cuba libertou alguns dos 53 presos políticos de uma lista exigida por Washington, cumprindo parte do acordo de reaproximação com os Estados Unidos, anunciado em dezembro pelos dois países. "Ainda esperamos ver em um futuro próximo todos os detidos da lista em liberdade", disse a porta voz do Departamento de Estado americano, Jen Psaki, em uma coletiva de imprensa, sem revelar, no entanto, o número e a identidade dos libertados.

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Jen defendeu a decisão de não publicar a lista, apesar dos pedidos de transparência feitos por setores da dissidência cubana, porque os Estados Unidos "não querem transformar os prisioneiros em alvos, mas apenas conseguir que sejam libertados".

A porta-voz do Departamento de Estado afirmou ainda que a libertação dos presos não significa o fim da discussão sobre direitos humanos em Cuba. Esse é inclusive um dos pontos levantados pelos críticos da reaproximação dos EUA com o país caribenho.

O senador republicano Marco Rubio e outros membros cubano-americanos do Congresso alegam que a mudança de posição do governo norte-americano proporciona legitimidade e dinheiro a Cuba, enquanto o país continuaria a violar os direitos humanos. O político disse que fará um movimento no Congresso, de maioria republicana, com o objetivo de bloquear a normalização das relações entre os dois países. O Congresso norte-americano vai ouvir o presidente Barack Obama nas próximas semanas sobre a nova relação com Cuba.

Reaproximação histórica

O presidente Barack Obama anunciou no dia 17 de dezembro, em um discurso transmitido pela TV, a abertura de um "novo capítulo" nas relações diplomáticas com Cuba e prometeu examinar junto ao Congresso americano o fim do embargo imposto há 50 anos pelos Estados Unidos. "O isolamento de Cuba não deu certo", disse o chefe de Estado americano na Casa Branca.

Obama anunciou que os Estados Unidos tomariam medidas históricas para normalizar as relações diplomáticas com Cuba e virar a página de "uma visão ultrapassada" da política americana em relação ao governo de Havana. Ele também reconheceu que a estratégia "rígida" aplicada por Washington a Cuba nos últimos anos teve pouco impacto. O presidente americano ainda pediu ao secretário de Estado americano, John Kerry, que iniciasse imediatamente as discussões com os cubanos para restabelecer as relações diplomáticas, interrompidas em 1961.

Obama também confirmou que os Estados Unidos abrirão uma embaixada em Havana nos próximos meses. Trocas e visitas de alto nível entre os dois governos serão realizadas para selar a "normalização das relações"."Um futuro de paz, segurança e desenvolvimento democrático é possível, se trabalharmos juntos", declarou.

Embargo será discutido no Congresso americano

No discurso, Obama reconhece que as décadas de isolamento impostos à ilha pelos Estados Unidos não favoreceram a emergência de uma Cuba "democrática, próspera e estável". Ele ainda acrescentou que discutirá com o Congresso a questão do embargo contra a ilha, que o presidente Raúl Castro lembrou que ainda é preciso ser negociada.

O presidente americano lembrou que o Canadá teve um papel decisivo nas discussões entre os dois países. Já o cubano Raul Castro elogiou o apoio dado pelas autoridades canadenses e pelo Vaticano na reaproximação. O papa Francisco prometeu que a igreja continuará a apoiar o reforço das relações bilaterais entre Estados Unidos e Cuba. Ele enviou duas cartas aos presidentes dizendo estar "satisfeito com a decisão histórica dos dois governos de superar as dificuldades que marcaram a relação recente das duas nações".

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