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Colômbia/Farc

Sob forte tensão, Farc e governo colombiano retomam negociações

O presidente colombiano Juan Manuel Santos, com o Estado Maior das forças armadas ao fundo, defende bombardeio contra Farc
O presidente colombiano Juan Manuel Santos, com o Estado Maior das forças armadas ao fundo, defende bombardeio contra Farc AFP PHOTO/Efrain Herrera-Presidencia
Texto por: RFI
4 min

Sob forte tensão depois dos ataques que mataram 26 guerrilheiros, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) retomaram as negociações de paz com o governo colombiano nesta segunda-feira, em Havana. De acordo com o líder rebelde Pablo Catatumbo, esses "trágicos eventos significam um revés em relação às conquistas que foram feitas na mesa de negociação".

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Ao chegar para a reunião na capital cubana, Catatumbo garantiu que a "pressão militar e as ameaças não afetam a vontade de lutar" da guerrilha. Ele disse ainda que o caminho escolhido por Bogotá é "errado" e que "é óbvio que escalar o conflito não leva à paz", afirmou. A reunião deveria ter acontecido na última sexta-feira, mas foi adiada por causa da tensão causada pela ofensiva de quinta-feira contra a posição dos guerrilheiros em Guapi, a 480 quilômetros da capital.

Até agora, as negociações não garantiram avanços duradouros, ainda que tenham surgido esperanças em dezembro, quando as Farc declararam um cessar-fogo unilateral e indefinido. O presidente Juan Manuel Santos respondeu em março, com a suspensão dos bombardeios contra a guerrilha.

Mas situação voltou a se deteriorar no mês passado quando 11 soldados foram mortos em uma emboscada das Farc em Cauca, no oeste do país. Os rebeldes afirmaram que o ataque foi uma "ação defensiva" contra um cerco do exército à região, amplamente dominada pela guerrilha. Mesmo assim, Santos optou por retirar a moratória sobre os bombardeios. Logo depois de um primeiro ataque, que matou oito rebeldes no norte do país há dez dias, as Farc suspenderam o cessar-fogo.

"O governo se aproveitou do cessar-fogo"

O segundo maior grupo guerrilheiro do país, o Exército de Liberação Nacional (ELN) expressou sua solidariedade com sua "organização irmã", as Farc. O ELN, que conta com cerca de 2,5 mil homens, manteve conversas preliminares tanto com o governo quanto com as Farc, para entrar no processo de paz, mas ainda não abriu negociações formais.

Em comunicado, a organização classificou a decisão de declarar um cessar-fogo unilateral indefinido como "um forte gesto para criar um clima favorável à paz". "O governo Santos", prossegue o comunicado, "longe de entender esse gesto, se aproveitou dele para fazer conquistas militares".

"Ação legítima"

O presidente, que venceu uma re-eleição apertada no último ano com a promessa de sucesso no processo de paz, afirmou que o ataque foi uma "ação legítima". E exigiu uma aceleração nas negociações que, de acordo com ele, "não tiveram avanço substancial".

As Farc pediram seguidas vezes que Santos aceitasse um cessar-fogo bilateral, mas o presidente sempre se recusou a considerar qualquer trégua antes que um acordo final de paz fosse estabelecido. Até agora, as conversas na capital cubana não atingiram mais do que acordos parciais em diversas questões, como a participação política para os rebeldes e o combate ao tráfico de drogas, que alimenta o conflito.

Desde seu início, em 1964, o conflito matou mais de 200 mil pessoas na Colômbia e deixou quase 5 milhões de desabrigados.
 

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