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ANGOLA

Angola: absolvido o assassino de Manuel Ganga

Manuel Hilbert Ganga, morto por um Guarda Presidencial a 23 de Novembro 2013
Manuel Hilbert Ganga, morto por um Guarda Presidencial a 23 de Novembro 2013 Central Angola
8 min

O Tribunal Provincial de Luanda absolveu esta quinta-feira o militar Desidério Patrício Barros, que na noite de 23 de Novembro de 2013 matou com um tiro nas costas Manuel Hilbert de Carvalho Ganga, militante da coligação de oposição CASA-CE, quando este colava cartazes apelando a uma manifestação para exigir esclarecimentos sobre o desaparecimento e morte de Isaías Cassule e Alves Kamilingue.

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Desidério Patrício Barros, militar da Unidade de Segurança Presidencial de 30 anos hoje absolvido, tinha sido inicialmente acusado pelo Ministério Público de homicídio voluntário, após ter confessado ter disparado e morto o jovem dirigente da ala juvenil da CASA-CE, um crime passível de 16 a 20 anos de prisão, pelo qual no entanto e contrariando a lei se mantinha até hoje em liberdade provisória.

Esta quinta-feira (26/11) o juís José Domingos Pereira decidiu absolvê-lo, por considerar que Manuel Ganga e outros jovens, colavam "cartazes ofensivos à pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos e em violação do perímetro de segurança do Palácio Presidencial", pelo que "o militar agiu em mero cumprimento do serviço" a que estava afectado.
 

Juíz José Domingos Pereira

Miguel Francisco "Michel" advogado de defesa da família de Manuel Hilbert de Carvalho Ganga considera "escandalosa" a sentença, sobre a qual "vai interpor recurso junto do Supremo Tribunal na próxima segunda-feira" e refuta categoricamente o argumento de que Manuel Ganga estava a colar cartazes numa zona proíbida.

Miguel Francisco "Michel"

Manuel Hilbert de Carvalho Ganga deixou dois orfãos e uma viúva e a organização da juventude da CASA-CE convocou uma manifestação hoje frente ao tribunal em "prol da vida, da justiça e da democracia", que deveria marchar até ao cemitério de Satana, para depositar uma coroa de flores no túmulo de Manuel Ganga, esta foi reprimida pela polícia quando os manifestantes gritaram slogans como "polícia é do povo, não é do MPLA" .

Abel Chivukuvuku, líder da CASA-CE acusou a "justiça angolana passar a mensagem de que membros das entidades públicas oficiais podem assassinar cidadãos e serão sempre absolvidos".

 

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