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Angola

Angola: Activistas prometem “contraponto positivo ao congresso do MPLA”

Um dos cartazes da conferência de imprensa desta quarta-feira.
Um dos cartazes da conferência de imprensa desta quarta-feira. Conta Facebook de Nuno Álvaro Dala
Texto por: Carina Branco
7 min

No dia em que arranca o congresso do MPLA em Luanda, os 17 activistas angolanos que tinham sido condenados a penas de prisão por rebelião vão dar uma conferência de imprensa apresentada como um “contraponto positivo ao congresso do MPLA”. Os jovens também querem mostrar como a prisão fortaleceu a "metodologia de luta em termos de activismo”.

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A conferência de imprensa dos 17 activistas angolanos que tinham passado um ano na cadeia acusados de rebelião coincide com o primeiro dia do congresso do MPLA para a reeleição de José Eduardo dos Santos.

Nuno Álvaro Dala disse à RFI que a data é “mera coincidência” mas que acaba por ser um “contraponto positivo ao congresso do MPLA”.

Escolhemos o dia 17 por mera coincidência. Soubemos que a data coincide com o congresso do MPLA há alguns dias, quando alguém nos alertou para esse facto. Mas, pronto, para nós acaba sendo uma coincidência que nos leva naquela lógica de termos a nossa conferência de imprensa como um contraponto positivo ao congresso do MPLA”, declarou.

O activista sublinhou que “o objectivo principal consiste em mostrar em que medida a experiência da prisão desempenhou um papel positivo na estrutura de valores e metodologia de luta em termos de activismo” e também vão ser denunciadas as más condições nas prisões angolanas e durante a prisão domiciliária.

Nuno Dala disse, também, que na conferência se pretende apresentar “uma mensagem para os angolanos sobre o momento que o país vive” e “caminhos para a saída da crise”.

O activista angolano reiterou que os activistas não se revêem na amnistia por estarem inocentes e lembrou que na próxima semana vai ser entregue no Supremo Tribunal uma petição para libertar “Dago Nível”, o qual está a cumprir uma pena de oito meses de cadeia por ter gritado na sala de audiências que o julgamento dos 17 activistas era uma “palhaçada”.

Oiça aqui a entrevista:

Nuno Álvaro Dala, Activista

Condenados a penas entre dois a oito anos e meio de prisão por crimes de rebelião e associação de malfeitores, os activistas foram libertados a 29 de Junho sob termo de identidade e residência.

A maioria das detenções dos 17 aconteceu a 20 de Junho de 2015, depois de os jovens do movimento revolucionário angolano terem participado em reuniões para um curso de formação de activistas.

Nas reuniões era estudado o livro “Ferramentas para destruir o ditador e evitar nova ditadura   Filosofia Política da Libertação para Angola", do professor universitário Domingos da Cruz, uma adaptação da obra "From dictatorship to Democracy", de Gene Sharp, que inspirou as revoluções da "Primavera Árabe”.

O processo ficaria conhecido como "15+2", em alusão aos 15 activistas que ficaram em prisão preventiva e duas jovens que aguardaram o julgamento em liberdade.

O caso foi bastante mediatizado a nível internacional, com o rapper Luaty Beirão a protagonizar uma greve de fome de 36 dias.
 

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