Angola

Greve na Movicel para acabar com assimetrias salariais

Movicel, segunda maior operadora de telefonia móvel de Angola
Movicel, segunda maior operadora de telefonia móvel de Angola Movicel
Texto por: RFI
5 min

A greve de trabalhadores da Movicel, a primeira empresa de telefonia móvel de Angola, vai hoje no seu segundo dia como previsto, para diversas reivindicações, entre elas um aumento salarial na ordem dos 75%.

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O primeiro secretário e porta-voz da comissão sindical, Costa Santos, afirmou hoje que a greve por tempo indeterminado arrancou ontem, segunda-feira, e está a ser cumprida em quase todo país.

Em declações recolhidas pelo correspondente da RFI em Luanda, Daniel Frederico, Costa Santos lamenta a posição da direcção, que até ao momento não demonstra abertura para negociação. Os trabalhadores, mais de 800 pessoas, estão a cumprir a sua greve "calmamente", colocando apenas os panfletos "à espera que a direcção da empresa responda".

Costa Santos, primeiro secretário e porta-voz da comissão sindical

O director dos Recursos Humanos da Movicel, Mário Abreu, adiantou à imprensa que a empresa que dirige a Movicel já satisfez 13 dos 14 pontos constantes no caderno reivindicativo. Os dirigente não podem atender a um único ponto relativo ao aumento salarial na ordem dos 75%, sob pena da empresa ir à falência, reiterou o sindicalista Costa Santos que nega a inexistência de diálogo entre as partes.

A entidade empregadora diz ainda estar consciente dos anseios dos seus trabalhadores, por isso atendeu ao pedido para o reajuste dos subsídios de alimentação e transporte dos colaboradores, do subsídio de óbito em 33%, introduziu a dispensa laboral por ocasião do aniversário e aplicou um novo classificador salarial, bem como do regime de progressão de carreira.

"Entretanto, face à situação económica do país e a capacidade de remuneração da empresa, a direcção da Movicel embora compreenda a importância da concessão de reajustes e benefícios aos trabalhadores, não pode neste momento atender a uma das reivindicações na forma imposta pelo sindicato, ou seja, proceder ao aumento salarial generalizado, na ordem dos 75%, sob pena de colocar em risco o pagamento pontual dos salários dos trabalhadores, gerando atrasos sucessivos no seu processamento, situação esta que agravará o já difícil ambiente produtivo", explicou Mário Abreu.

O caderno reivindicativo foi entregue a 15 de Janeiro e de novo a 9 de Março, tendo resultado numa reunião entre a direcção da empresa e comissão sindical, nos dias 18, 19 e 20 de Abril, para ampla discussão das questões apresentadas pela parte reivindicadora, "porém não encontraram as soluções esperadas pelos trabalhadores".

A direcção da Movicel acusa a comissão sindical de não ter legitimidade para convocar a greve, porque na assembleia de trabalhadores, realizada no passado 21 de Abril, que sustenta a convocação da paralisação "não estiveram mais de 80 colaboradores, dos quais muitos são desconhecidos".

De salientar que nos caderno de reivindicações consta um pedido de "dignidade aos funcionários, acabando com as assimetrias salariais", mas igualmente a "reavaliação e reenquadramento do pessoal na nova tabela salarial, segundo as categorias ostentadas por estes até Novembro de 2016".

O Ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, anunciou que a quarta operadora de telefonia móvel pode entrar no mercado dentro de um anos e meio.

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