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França

Francisco Vidal: “Qualquer gesto criativo é político”

Francisco Vidal na feira AKAA, em Paris. 08 de Novembro de 2019.
Francisco Vidal na feira AKAA, em Paris. 08 de Novembro de 2019. Carina Branco/RFI
Texto por: Carina Branco
35 min

O artista Francisco Vidal, português, angolano e cabo-verdiano, expõe pela primeira vez em Paris e teve carta branca para criar um espaço de pintura e pensamento na feira AKAA - Also Know As Africa - que abre ao público este sábado, em Paris. O pintor fez retratos de todos os artistas africanos presentes no evento e invadiu chão e paredes com o seu gesto coreográfico e cores expressionistas.

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A feira internacional dedicada à arte contemporânea africana AKAA ["Also Known As Africa"] convidou o artista Francisco Vidal para desenvolver um projeto especial no espaço AKAA Underground, que tem como título “Paisagens Contemporâneas”, comissariado por Namalimba Coelho. 

O pintor criou um espaço imersivo em que o espectador entra na sua obra, dos pés à cabeça. No chão, uma série de 'prints' de flores de algodão e nas paredes os retratos expressionistas de 60 artistas africanos contemporâneos que expõem na AKAA, incluindo um  auto-retrato de Francisco Vidal. 

Filho de pais angolanos e cabo-verdianos, Vidal cresceu em Portugal, viveu em Berlim, Nova Iorque e Luanda, tendo-se fixado em Lisboa.  A sua obra aborda temas centrados em África e nas suas diásporas e sugere influências de Basquiat, Matisse e Picasso, entre muitos outros pintores, absorvendo também a cultura hip-hop dos anos 80, o graffiti e a arte urbana. As cores a óleo são expressionistas e vibram a partir de papel em grande formato e catanas transformadas em telas. 

Os 60 retratos que Francisco Vidal criou para esta mostra formam uma vasta paisagem contemporânea, humana e urbana, que vai acolher um programa composto por conversas, debates e performances entre este sábado e a próxima segunda-feira.

Entrevista a Francisco Vidal

Eu acredito que qualquer gesto criativo é político” afirma o artista que acredita que “a pintura pode ser uma arma contra a guerra”. Francisco Vidal faz parte de “uma geração de artistas e pintores angolanos muito forte” e consciente que é preciso “um trabalho social mais activo e mais presente”, tanto mais que muitos vivem fora de Angola.

Francisco Vidal é licenciado em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, fez um curso avançado em Artes Visuais na Escola de Artes Visuais Maumaus, em Lisboa, e tem um mestrado na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Nascido em Lisboa em 1978, de pai angolano e mãe cabo-verdiana, foi selecionado para fazer parte do pavilhão de Angola na 56.ª edição da Bienal de Veneza. Realizou várias exposições individuais e colectivas em Lisboa e Luanda e está presente em várias colecções.

A feira AKAA decorre de 9 a 11 de novembro, no Carreau du Temple, em Paris, e junta 45 galerias com mais de 100 artistas de origem africana. Há quatro galerias lusófonas: o Espaço Luanda Arte, Mov’Art e THIS IS NOT A WHITE CUBE, sediadas em Luanda, e também a galeria portuguesa Perve, sediada em Lisboa.

Além de Francisco Vidal, há obras dos angolanos Ricardo Kapuka e Keyezua, dos moçambicanos Malangatana, Mario Macilau, Reinata Sadimba e Ernesto Shikhani, dos são-tomenses René Tavares e José Chambel, da guineense Manuela Figueira e do brasileiro No Martins.

 

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