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Economias

Recessão deve continuar em Angola

Áudio 09:54
Imagem de arquivo. Luanda. 13 de Novembro de 2018.
Imagem de arquivo. Luanda. 13 de Novembro de 2018. Rodger BOSCH / AFP
Por: Carina Branco
24 min

Uma economia parada, uma redução estrutural da capacidade de crescimento de Angola e um modelo do FMI que “diariamente degrada as condições de vida” dos angolanos. Os alertas são do economista Alves da Rocha, director do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola. O CEIC publicou, esta semana, o Relatório Económico de Angola 2018, e as perspectivas são sombrias.

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Os alertas são iguais todos os anos. A economia não funciona, a economia está parada, a economia está em recessão”, começa por explicar o director.

O relatório põe “absolutamente” em causa o modelo de recuperação económica que está a ser usado em Angola com o apoio do Fundo Monetário Internacional porque se trata de “um modelo que diariamente degrada as condições de vida” dos angolanos. O economista adverte que deveria ter havido “um modelo próprio para Angola” e não o mesmo que é aplicado a todos os países sem ter em conta as particularidades de cada um.

Eu não sei quem é que neste momento, em todo o mundo, nomeadamente em África, acredita no FMI”, lança o economista, lembrando que houve países na Europa a entrar em recessão com o modelo de austeridade imposto pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu.

Alves da Rocha sublinha que se sente “diariamente uma degradação das condições de vida” em Angola e lembra que confrontou o chefe de missão do FMI, durante um encontro na Universidade Católica com economistas angolanos, sobre a existência de “problemas sociais gravíssimos”.

A resposta foi clara. O FMI não tem nada a ver com isso, não está preocupado com isso. O FMI foi chamado a Angola para resolver o problema da dívida pública de Angola, para limitar o saldo orçamental.” Para o economista “a preocupação é que Angola consiga pagar aos seus credores”, ou seja, o FMI limita-se a defender “a situação dos credores de Angola”.

Alves da Rocha acrescenta que “há banqueiros que se insurgem contra o FMI, que acham que com o empréstimo que o FMI deu a Angola eles são neste momento os donos do país”.

O FMI, neste momento, é o dono do país porque pressiona o governo a tomar uma série de medidas cujas consequências sociais são nefastas”, avisa.

Angola “vai entrar provavelmente em 2020 no quinto ano de recessão económica permanente e contínua”, pelo que o economista duvida que seja com “medidas de retração no investimento público” que o país vá recuperar.

As perspectivas, do meu ponto de vista, não são boas” porque “um país com uma taxa de desemprego de 30 %, uma taxa de pobreza de 42%, nem que cresça 2% ao ano, isso não chega. Não chega para nada, para rigorosamente nada. Nem para criar emprego, nem para satisfazer as pessoas, nem para nada”, adverte.

O meu ponto de vista pessoal é que até 2025 o país vai continuar nesta situação de uma redução estrutural da sua capacidade de crescimento”, conclui.

Oiça a entrevista completa neste programa.

Entrevista a Alves da Rocha

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