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#Angola/IURD

Angola: Polícia reforça vigilância a templos da IURD

Igreja Universal do Reino de Deus, Luanda. 14 de Novembro de 2012.
Igreja Universal do Reino de Deus, Luanda. 14 de Novembro de 2012. AFP - ESTELLE MAUSSION
Texto por: RFI
4 min

A polícia angolana colocou agentes junto a templos da Igreja Universal do Reino de Deus para impedir desacatos. Na segunda-feira, um grupo de religiosos de Angola tomou o controle de 35 templos em Luanda e cerca de 50 outras filiais da instituição em outras províncias do país, como Cabinda e Cunene.

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A polícia angolana colocou vários agentes junto a templos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) para "acautelar cenas de desacato", informou Nestor Goubel, porta-voz da polícia em Luanda.

“O comando provincial de Luanda tem estado a acompanhar toda esta situação, não só ao nível do município de Luanda como em toda a extensão da província de Luanda. Não há, em princípio, grandes cenas de desacato ou ofensas corporais. Está tudo a ser gerido”, acrescentou Nestor Gouvel, num som registado pelo nosso correspondente Daniel Frederico.

Nestor Goubel, porta-voz da polícia em Luanda

Liderados pelo bispo Valente Bizerra, os pastores angolanos decidiram romper, em Novembro do ano passado, com a representação brasileira em Angola encabeçada pelo bispo Honorilton Gonçalves, por alegadas práticas doutrinais contrárias à religião, como a exigência da prática de vasectomia, castração química, além da evasão de divisas para o exterior do país.

Na segunda-feira, um grupo de religiosos de Angola tomou o controle de 35 templos em Luanda e cerca de 50 outras filiais da instituição em outras províncias do país, como Cabinda e Cunene.

Na terça-feira, bispos e pastores angolanos da IURD anunciaram uma ruptura com a liderança brasileira da instituição devido a "muitos crimes", entre eles, racismo e desvio de dinheiro. 

Em comunicado publicado no Facebook, a Igreja Universal do Reino de Deus afirma que foi invadida em algumas localidades por "ex-pastores desvinculados da instituição por práticas e desvio de condutas morais e em alguns casos criminosas contrárias aos princípios cristãos". O documento classifica a atitude dos religiosos angolanos de "práticas criminosas".

Segundo a nota, os bispos e pastores rebelados foram "tomados por um sentimento de ódio" e realizaram "ataques xenófobos". "Agrediram e feriram pastores, esposas de pastores e funcionários, usando a violência com objectivo de tomar de assalto a igreja com propósitos escusos", afirma o comunicado.

A nota também apela a "comunidades competentes" para que resolvam o problema. Segundo o “post”, a Igreja Universal do Reino Deus está oficialmente em Angola desde 1992, e conta actualmente com 512 pastores: 419 angolanos, 65 brasileiros, 24 moçambicanos e quatro são-tomenses.

Entretanto, a IURD em Angola comunicou, na sua página Facebook, que apesar da reabertura, esta quarta-feira, ao culto presencial, as suas igrejas vão continuar fechadas em todo o país, por não estar garantida a segurança de pastores e fiéis, tanto devido “aos recentes acontecimentos desencadeados por actos de invasão e rebelião por parte dos ex-pastores” quanto “devido à evolução da situação epidemiológica da covid-19”.

Angola reabriu, esta quarta-feira, as igrejas, excepto em Luanda e Cuanza Norte, por causa da evolução epidemiológica nestas duas províncias, as únicas com diagnóstico de infecções.

Num som recolhido pelo nosso correspondente Daniel Frederico, o jurista Catumbela de Sá, que acompanha o caso, dá razão à ala brasileira da IURD:''É um acto bárbaro, criminoso e muito reprovável. Este acto é muito perigoso e pode minar as relações entre Angola e o Brasil. (...) Está-se a invadir a privacidade, o património alheio. O que os nossos irmãos estão a fazer é um acto criminoso."

Jurista Catumbela de Sá

Crimes e muitas irregularidades

Na terça-feira, em entrevista exclusiva à RFI, o pastor angolano Silva Matias afirmou que a ruptura no seio da IURD aconteceu porque "muitos crimes e muitas irregularidades têm sido cometidos pela liderança brasileira". Entre as denúncias, Matias cita o racismo por parte dos membros da instituição no Brasil, entre eles, o bispo Edir Macedo, chefe da Igreja Universal.

"Em uma reunião fechada, uma conferência que ele fez connosco, ele disse que nós, pretos, temos essa aparência porque nossos ancestrais, nossas mães, quando concebiam, tinham muito contacto com macacos. Isso foi uma tremenda aberração e uma autêntica falta de respeito, vindo dessa pessoa que é líder fundador da igreja", afirmou.

O pastor angolano também acusa o bispo brasileiro Honorilton Gonçalves, ex-vice-presidente da TV Record de racismo. "Sabemos que ele, um homem branco, trata os negros com desdém", reitera.

Matias também refuta as declarações de Gonçalves, que afirmou que os angolanos que se rebelaram não são mais religiosos. "Nós não somos 'ex-pastores' porque a igreja foi tomada a nível nacional. De Cabinda a Cunene, as 18 províncias foram tomadas porque os pastores já não se vêem na gestão brasileira", declarou à RFI.

Pastor da IURD, Silva Matias

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República angolana anunciou, esta quinta-feira, que "está a trabalhar" num processo-crime que envolve pastores angolanos e brasileiros da IURD em Angola, em desavenças, e avançou que os advogados da IURD apresentaram uma outra queixa-crime na sequência da tomada de templos na segunda-feira.

 

 

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