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Angola/Brasil

Angola: Novo processo crime nos desacatos na Igreja Universal do Reino de Deus

Bispo Edir Macedo, à esquerda do presidente brasileiro Jair Bolsonaro a 7 de Setembro de 2019 em Brasília.
Bispo Edir Macedo, à esquerda do presidente brasileiro Jair Bolsonaro a 7 de Setembro de 2019 em Brasília. AFP - EVARISTO SA
Texto por: RFI
3 min

O Ministério do Interior de Angola anunciou a abertura de novo processo-crime no caso dos desacatos ocorridos em torno de templos da Igreja Universal do Reino de Deus. O Procurador Geral da República já tinha anunciado estar em curso um dossier e uma investigação no SIC, Serviço de investigação criminal.

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O pronunciamento das autoridades governamentais angolanas foi feito através de um comunicado de imprensa confirmando o acompanhamento com atenção dos novos episódios desta crise.

Estes têm-se traduzido em templos deste movimento evangélico de origem brasileira ocupados por membros do clero angolano descontentes com as orientações da direcção do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja.

Aquele responsável brasileiro reagiu neste sábado, por vídeo, numa conversa com dirigentes em Angola defensores da sua orientação e partilhada na rede social Youtube.

O bispo Edir Macedo afirmou que os crítico do movimento são "malditos pelo que vocês estão fazendo com aquelas pessoas que nós estamos resgatando do inferno em Angola e em tantos outros lugares do mundo".

Macedo refere-se a um "diabo que se materializa na vida dos que se rebelam contra a vontade de Deus, não é contra mim, não !".

O clérigo prosseguiu num tom firme a ameaçar directamente os revoltosos de que acabariam por ser sepultados brevemente : "Vocês podem ter a certeza de que essa situação vai mudar ! E os perversos, aqueles que se revoltaram eles vão descer à sepultura mais breve do que eles possam imaginar e, pior, inclusive as suas respectivas famílias".

O fundador do movimento fez referência à oposição entre a ala brasileira e a ala angolana descartando haver qualquer fundamento nas críticas quanto ao seu suposto racismo ou preferência de nacionalidade. Para ele o importante são as "almas" que "não têm cor".

"Nós temos aí em Angola, em Moçambique, espalhados pelo mundo inteiro uma gama de brasileiros, como também temos angolanos aqui no Brasil. No Reino de Deus não existe(m) branco(s), não existe(m) negro(s). 

Edir Macedo atribui à suposta infidelidade dos clérigos que estão na origem da revolta em relação às respectivas esposas o início de um processo que lhes teria retirado credibilidade.

"São raça de víboras ! Eles começaram a se rebelar contra Deus quando traíram as suas respectivas esposas e aí eles perderam a paz. Eles perderam o tino da vida, eles perderam a autoridade especial, eles perderam tudo, eles se amaldiçoaram. "

Neste vídeo participaram também três clérigos angolanos a defender a hierarquia brasileira do movimento, no final um outro deixou o seu testemunho desmentindo quaisquer fundamentos quanto à vasecotomia supostamente defendida pela Igreja.

Este afirmou ter dois filhos, tendo a sua esposa ter denunciado também uma situação "triste".

Bispo Edir Macedo, fundador no Brasil da Igreja Universal do Reino de Deus

A 1 de Setembro de 2019 Jair Bolsonaro, o presidente brasileiro, próximo de Edir Macedo, esteve mesmo no Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus, em São Paulo.

Foi nessa altura em que se conheceram pessoalmente e em que o estadista participou num culto, tendo sido brindado com uma Bíblia oferecida pelo bispo.

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