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Angola/Pobreza

Angola/Covid-19: pobreza agrava acesso alimentação em Malange

Em Angola só a diversificação da agricultura e a pequena agricultura familiar, podem tirar da pobreza extrema 41% da população.
Em Angola só a diversificação da agricultura e a pequena agricultura familiar, podem tirar da pobreza extrema 41% da população. AFP
Texto por: RFI
4 min

Cinco dos catorze municípios da província de Malange, no norte de Angola, estão a ser afectados pela fome e a pobreza, devido ao encerramento de pequenos negócios, provocado pela pandemia de Covid-19.

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A conclusão é da ong ADRA - Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, que, recentemente, publicou um estudo sobre acesso à água, alimentação e ao registo de nascimento na província angolana de Malange.

A pesquisa, de acordo com Carlos Cambuta, director-geral da ADRA, cingiu-se nos municípios de Malange, Cacuso, Calandula, Kiaba Nzonge, Quela, onde a pandemia de Covid-19 limitou o desenvolvimento de pequenos negócios de muitas famílias.

Cambuta afirma que com a situação da pandemia do novo coronavírus muitas famílias, em Malange, têm dificuldades em continuar os seus pequenos negócios e obter recursos financeiros a partir dos seus postos de trabalho, visto que muitos estão a ser despedidos.

O responsável admite que a pesquisa confirma os dados publicados, recentemente, pelo Instituto Nacional de Estatística, segundo os quais 41% da população angolana vive em situação de extrema pobreza, um fenómeno que se se agrava no meio urbano e rural.

Em termos de acesso à alimentação, a realidade varia de município para município, mas no geral nas localidades com características rurais, a população, na sua maioria, tem acesso à alimentação”, segundo a ADRA.

A diversificação diária das refeições na zona urbana de Malange é, igualmente, uma das preocupações levantadas pelo estudo, que realça a necessidade de se trabalhar com as famílias, sobre a importância da diversificação da alimentação.

Carlos Cambuta diz, por exemplo, que a situação é mais complicada no município sede, porque menos de  50% das famílias inquiridas, afirmaram ter acesso as três refeições diárias.

Segundo este responsável, no meio urbano as famílias inquiridas, disseram ter acesso a alimentação apenas uma vez e com sorte, já que são capazes de não poderem jantar, porque têm de fazer cálculos, para ter uma refeição que permita resistir no dia a dia.

A organização entende que um dos grandes factores está na diferenciação entre a população do meio rural e urbana, sendo que este primeiro grupo sobrevive de lavras, ainda que estas sejam de pequena dimensão.

Para Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, a agricultura de subsistência nas lavras deve ser uma opção para várias famílias, com o objectivo de comaltar algumas dificuldades no acesso alimentação.

Angola regista, até ao momento, 462 infectados, dos quais 23 óbitos, 118 recuperados e 321 casos activos da pandemia de Covid-19.

Com a colaboração de Francisco Paulo, correspondente em Angola.

Correspondência de Angola, 15/7/2020

 

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