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Angola

Waldemar Bastos: música angolana perdeu uma das maiores referências

Músico angolano Waldemar Bastos faleceu em Lisboa a 10 de Agosto de 2020.
Músico angolano Waldemar Bastos faleceu em Lisboa a 10 de Agosto de 2020. © lusa
Texto por: Miguel Martins
11 min

Faleceu na madrugada desta segunda-feira na capital portuguesa o artista angolano Waldemar Bastos. O músico foi vítima de um cancro e morreu com apenas 66 anos. Desde "Estamos juntos" em 1986, álbum feito com a cumplicidade de artistas brasileiros, a sua voz tinha-se tornado numa referência maior da música angolana.

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Waldemar Bastos nasceu em M'banza Congo, na província nortenha do Zaire, em 1954, desde muito cedo começou como autodidacta, sem saber o solfejo, a tocar acordeão desde os sete anos.

Integrou várias bandas, como a Jovial que tocava em bailes e concertos gratuitos pelo país fora.

Após a independência, em 1975, viajou por países do então bloco soviético, nos anos 80 foi para o Brasil onde surgiria o seu álbum de estreia Estamos juntos incluindo valores consagrados como Chico Buarque.

Paris, em França, e Lisboa, em Portugal, foram, depois, o seu destino... a capital portuguesa onde ele foi o único artista fora do registo do fado a cantar aquando da transaladação para o Panteão nacional do corpo da fadista Amália Rodrigues de quem era amigo.

Angola Minha namorada (1990), Pitanga Madura (1992), Pretaluz (1998), 20 anos de carreira (2002) foram os  trabalhos que foi publicando, sempre com grande incremento no seu país e no estrangeiro.

Pegando em músicas do cancioneiro como Muxima ou popularizando temas que se tornaram mitos como Velha Chica.

Em 2018, o músico foi agraciado com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais importante distinção do Estado angolano nesta área.

O artista definia a sua música como sendo “afro-luso-atlântica”, o seu envolvimento espiritual, ligado ao cristianismo, era também uma patente.

José Luís Mendonça, intelectual angolano que conheceu e privou de perto com o artista desde os preparativos para o seu álbum de estreia comentou à rfi a obra e o legado do seu compatriota.

"Eu era editor do Instituto do livro e do disco, e eu e o director produzimos o primeiro disco dele." "Ele possuía um estilo único, não imitava os outros, ele criou o seu próprio estilo de música. "

Um estilo "sui generis, isto é que o marca, era um homem muito sentimentalista, muito humilde, era uma boa pessoa, é um grande cantor que fica para a posteridade."

José Luís Mendonça, intelectual angolano sobre a morte de Waldemar Bastos

Numa entrevista à rfi em 2017 aquando da estreia do seu álbum "Classics of my soul" que incluia M'biri M'biri Waldemar Bastos tinha denunciado a João Matos o facto de não conseguir actuar na sua terra natal.

"Eu não estou fora por vontade própria, há de facto em relação a artistas que cantam a alma angolana uma perseguição, há um boicote " afirmava o artista denunciando "uma ordem silenciosa".

Waldemar Bastos em entrevista em 2017 à rfi (João Matos) e a sua relação com Angola

O governo angolano redigiu uma nota lamentando a perda do célebre artista.

Igualmente, nesta hora de luto e de dor, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente curva-se perante a emblemática figura de Waldemar Bastos e apresenta à família enlutada as mais sentidas condolências”, escreve a nota.

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