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Angola: TV Palanca e Rádio Global passam para a esfera do Estado

TV Palanca passa para o Estado angolano
TV Palanca passa para o Estado angolano AFP - KHALED DESOUKI
Texto por: RFI
4 min

A TV Palanca e Rádio Global, detidas por Manuel Rabelais, ministro da Comunicação do último governo de José Eduardo dos Santos, passaram para o Estado, tal como aconteceu ao grupo Media Nova há cerca de um mês.

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A televisão Palanca e a rádio Global, detidas por outro homem influente no governo de José Eduardo dos Santos, Manuel Rabelais, passarem para a esfera do Estado angolano.

Em comunicado enviado esta sexta-feira às redações, a Procuradoria-Geral de Angola (PGR) informa que a ação se deve ao facto de a empresa Interactive Empreendimentos Multimédia LDA, dona da televisão e da rádio, mas também da Agência de Produção de Programas Áudio e Visual, “ter sido constituída com fundos públicos”.  Ou seja, resulta da intervenção do Serviço Nacional de Recuperação de Activos, que faz parte do programa de combate à corrupção do Presidente João Lourenço. Tal como a Zimbo e o jornal O País do grupo Media Nova, ficam sob a tutela do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.

“A entrega inclui instalações, equipamentos, emissão, veículos, trabalhadores e colaboradores”, avança ainda a nota.

Em reacção, o presidente da Instituto para a Comunicação Social da África Austral (Misa) de Angola, André Mussamo, diz que a situação começa a se tornar-se apreensiva.

O jornalista teme que a curto prazo os órgãos tenham um discurso de sentido único. “Ao serem concentrados os meios de comunicação social para o Estado angolano que não é amigo da democracia, da liberdade de expressão e opinião, não precisamos fazer muito exercício mental para compreender que, este por si só, vai acabar por estreitar a liberdade de expressão dos grandes meios de massas”, calculou o responsável.

Além disso, André Mussamo recorda que o processo começou com o grupo Media Nova, onde defende já notar-se mudanças na linha editorial.

“Seria bom e desejável que a multiplicação de canais fosse genuína e verdadeira, porque, só assim, as diferentes cores políticas teriam oportunidade de conquistar o seu espaço na esfera pública por via do eleitorado”, refletiu o presidente do Misa-Angola.

O Grupo Media Nova, editora da TV Zimbo, o jornal O País, e a Rádio Mais, foi entregue, em julho, ao Estado, por ser, também, um conglomerado feito com dinheiro público.

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