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Angola

Classe jornalística atira-se contra transformação da TV Zimbo e TV Palanca em canais especializados

Futuro das Palanca TV e TV Zimbo suscitam amplo debate jornalístico em Angola.
Futuro das Palanca TV e TV Zimbo suscitam amplo debate jornalístico em Angola. © rfi/Francisco Paulo
Texto por: Francisco Paulo
5 min

O governo angolano pretende transformar a TV Zimbo e Palanca TV, agora sob seu controlo, em canais públicos especializados em notícias e desportos. Jornalistas opõem-se e avisam que a medida agride a pluralidade de informação.  

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A Media Nova, detentor da TV Zimbo, Rádio Mais, Jornal O País e da Gráfica Damer, e a Interactive, produtora da TV Palanca e da Rádio Global, foram recuperados pelo  Estado, por serem projectos privados “arranjados” com dinheiro público.  

Teixeira Cândido, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, explica que a classe manifesta-se contra a transformação da TV Zimbo e Palanca TV em canais especializados de notícias e desportos. 

Num declaração conjunta lida pelo jornalista, o grupo desafia o Governo indicar profissionais idóneos ou não-governamentais para acompanhar todo processo de transição para o sector privado. 

Teixeira Cândido espera que o Governo respeite a independência da linha editorial dos referidos órgãos comunicação social, abstendo-se de quaisquer interferências directas ou indrectas.   

Considera prioritário que o executivo dedique o seu esforço na melhoria da qualidade das condições de trabalho dos órgãos públicos, assim como o acesso de todos os cidadãos aos seus serviços transferindo os órgãos agora recuperados para o sector privado. 

As associações profissionais recordam que a liberdade de expressão não é apenas uma componente essencial dos regimes democráticos, pois que o grau de democraticidade do Estado é também aferido pela efectividade de que gozam os seus cidadãos. 

O comunicado conjunto espelha que, para que se exerça uma cidadania consciente, necessário se torna ter acesso ao máximo de opiniões, realidades que só se concretizam mediante a pluridade de informação e a diversidade de órgãos de comunicação social.  

Para o grupo, o plano de transformação dos órgãos agride a pluralidade de informação e sujeita os cidadãos a um monopólio de um Estado disfarçado, o que representaria um retrocesso grave da liberdade de imprensa, violando a lei de Imprensa no seu artigo 250. 

Perde, por sua vez,  transparência no processo de privatização dos canais que, recentemente, passaram para controlo do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social. 

Subscreveram o comunicado, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), o Fórum das Mulheres Jornalistas, MISA-ANGOLA, a Associação de Imprensa Desportiva (AIDA), e Associação dos Comunicólogos de Angola (ACAN).

 O relato de Luanda é-nos feito por Francisco Paulo, o nosso correspondente.

Correspondência de Angola 03/09/2020

 

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