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Angola

Angola: Generais Kopelipa e Dino entregam bens ao Estado

Generais Kopelipa e Dino entregam bens aos Estado
Generais Kopelipa e Dino entregam bens aos Estado Dr
Texto por: RFI
4 min

Os generais Hélder Vieira Dias "Kopelipa" e Leopoldino Fragoso do Nascimento "Dino" entregaram vários bens ao Estado angolano. Os dois homens, foram constituídos arguidos no âmbito de um processo que envolve contratos entre o Estado e a empresa China International Found, começaram a ser ouvidos esta semana pela justiça angolana.

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No comunicado da Procuradoria-Geral enviado à imprensa, pode ler-seno âmbito do processo de investigação Patrimonial nº2/2020-SENRA, anexo ao Processo-crime  nº12/20-DNIAP, os representantes das empresas China International Fund Angola - CIF e Cochan, S.A- Manuel Helder Vieira Lopes e Leopoldino Fragoso do Nascimento-entregaram ao Serviço Nacional de Recuperação de Activos vários bens.

Entre os bens constam fábricas de cerveja e cimento, uma rede de supermercados e edifícios de habitação que, a partir de agora, passam a integrar a esfera patrimonial do Estado angolano.  

Os dois generais, conhecidos pelas fortes ligações que mantinham com o antigo Presidente José Eduardo dos Santos, foram constituídos arguidos no âmbito de um processo que envolve contratos entre o Estado e a empresa China International Found (CIF) começaram a ser ouvidos na terça-feira.

O general Leopoldino Fragoso do Nascimento (Dino) foi interrogado ao longo de sete horas, a audição prosseguiu na quarta-feira com o interrogatório de Manuel Helder Vieira Lopes (Kopelipa), avança a agência de notícias Lusa.

Ainda sobre a entrega dos bens “constituídos com fundos públicos”, no comunicado da PGR pode ler-se que foram devolvidas ao Estado angolano as fábricas de cerveja (CIF Lowenda Cervejas), de logística (CIF Logística), de cimento (CIF Cement) e de montagem de automóveis (CIF SGS Automóveis).

Foi igualmente devolvida a totalidade das acções que detinham na empresa BIOCOM – Companhia de Bioergia de Angola (com participações da Sonangol e Odebrecht), através da Cochan, a rede de supermercados Quero, através da cedência de 90% das participações sociais do grupo Zahara Comércio, S.A. e a empresa Damer Gráficas – Sociedade Industrial de Artes Gráficas.

Os representantes da empresa CIF fizeram também a transferência de titularidade para a esfera patrimonial dos bens que já tinham sido apreendidos a 11 e 17 de fevereiro, nomeadamente 24 edifícios de habitação e outros equipamentos da centralidade do Zango 0 denominada “Vida Pacífica”, a centralidade do Kilamba KK5800, com 271 edifícios e 837 vivendas em diferentes níveis de construção e os edifícios CIF Luanda One e CIF Luanda Two.

A agência de notícias Lusa escreve ainda que a CIF Limited é uma empresa privada chinesa com sede em Hong Kong e com um escritório em Pequim. A empresa terá sido criada em 2003 para financiar projetos de reconstrução nacional e desenvolvimento de infraestruturas nos países em desenvolvimento, sobretudo no continente africano,

Em 2009, o centro de estudos britânico Chatham House divulgou um relatório o onde afirmava que a CIF teria ligações à China Angola Oil Stock Holding Ltd, que negociaria com o petróleo angolano através da China Sonangol International Holding.

Manuel Vicente, investigado em Portugal [Operação Fizz] por suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais, em 2017, estaria entre os directores da China Sonangol.

No mesmo ano a justiça portuguesa decide enviar o processo para Angola. Mais de dois anos depois, o ex-vice-presidente e antigo patrão da Sonangol continua sem ser visado pela justiça angolana.

Em entrevista à agência de notícias Lusa, o procurador-geral da República de Angola, Hélder Pitta Grós, justificou a situação com o facto do ex-vice-presidente, tal como o ex-Presidente, estarem protegidos por uma lei que concede cinco anos de imunidade.

 

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