#Angola/Protestos

Angola: Médico confirma morte de manifestante

Forças policiais em Luanda. 11 de Novembro de 2020.
Forças policiais em Luanda. 11 de Novembro de 2020. AFP - OSVALDO SILVA

O chefe da equipa do banco de urgência do Hospital Américo Boavida, em Luanda, confirmou que o manifestante de 26 anos ferido no protesto desta quarta-feira acabou por morrer. Em declarações à Televisão Pública de Angola, o médico disse que o jovem foi atingido "com um objecto contundente", o que lhe provocou um trauma na cabeça, "com sangramento activo e exposição da massa cerebral".

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A informação foi avançada pelo chefe da equipa do banco de urgência do Hospital Américo Boavida, Augusto Manuel. O jovem de 26 anos, estudante universitário, deu entrada na unidade hospitalar ao início da tarde de quarta-feira, depois de ter ficado ferido na tentativa de manifestação para exigir melhores condições de vida e a realização das primeiras eleições autárquicas.

O paciente, Inocêncio de Matos, foi levado pela polícia ao hospital. Em declarações à Televisão Pública de Angola, o médico disse que o jovem teria sido atingido "com um objecto contundente" que lhe provocou um trauma na cabeça, "com sangramento activo e exposição da massa cerebral". O jovem foi levado para o bloco operatório, em estado inconsciente, mas após quatro horas veio a morrer.

"O doente que já tinha um mau prognóstico, quer à entrada do banco de urgência, quer no bloco operatório, o prognóstico já era muito mau, acabou por falecer por paragem cardiorrespiratória irreversível e a gente só teve que confirmar o óbito quatro horas depois da cirurgia”, declarou.

O médico afastou a versão de ter sido atingido por um disparo de arma de fogo, como inicialmente foi avançado por companheiros manifestantes.

Não, um objecto contundente, estamos a falar provavelmente de um pau, de um pedaço de metal, grosso, grande, um ferro, que causa aquele tipo de lesão, a gente isso pôde facilmente constatar pelo tipo de ferida que tinha, aquele tipo de fractura, além de que foi submetido a uma TAC cranioencefálica que não evidenciou corpo estranho nenhum”, declarou.

Augusto Manuel, médico no Hospital Américo Boavida de Luanda

O comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional, Eduardo Cerqueira, negou, em declarações à comunicação social, na quarta-feira, que tenha morrido uma pessoa, confirmando que estava ferido e a receber tratamento no Hospital Américo Boavida.

A morte do manifestante aconteceu no dia em que se celebraram os 45 anos de independência em Angola, durante uma tentativa de manifestação que foi proibida pelo Governo Provincial de Luanda alegando as restrições  sanitárias que impedem ajuntamentos de mais de cinco pessoas na via pública.

Manifestante fala em dois mortos

Dito Dali, um dos organizadores da marcha, disse à RFI que duas pessoas morreram. 

Dito Dali, activista cívico angolano, 12/11/2020

Convidado do dia 12 de Novembro de 2020

ONG lamenta morte de manifestante e repressão

A organização não-governamental angolana Friends of Angola manifestou, esta quinta-feira, “preocupação e apreensão” com a repressão da manifestação e denunciou as detenções, espancamentos e morte de um dos manifestantes.

A repressão brutal contra manifestantes pacíficos por parte da Polícia Nacional viola o conjunto de valores e princípios que se consubstanciam no espírito da independência nacional, alcançada com enorme sacrifício consentido por angolanos e angolanas de diversos estratos sociais”, escreveu, em comunicado, a Friends of Angola.

Segundo a ONG, várias pessoas foram detidas e espancadas em confrontos com a polícia durante a tentativa de manifestação.

A Friends of Angola considerou ainda que o Governo do Presidente João Lourenço tem estado “a revelar uma deriva totalitária” que remete para a “Era dos Santos”, “marcada por uma quantidade industrial de violações dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos”.

 

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