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Angola

Nova manifestação em Luanda realizada pacificamente

Manifestação "Por um combate à corrupção e à impunidade em Angola sério e justo" organizada por membros da sociedade civil em Luanda, no dia 21 de Novembro de 2020.
Manifestação "Por um combate à corrupção e à impunidade em Angola sério e justo" organizada por membros da sociedade civil em Luanda, no dia 21 de Novembro de 2020. © LUSA - AMPE ROGÉRIO
Texto por: Avelino Miguel
5 min

Pela terceira vez em menos de um mês, Luanda voltou hoje a ser hoje palco de uma nova manifestação para reclamar um combate “sério e justo” contra a corrupção e a impunidade em Angola. Ao contrário das duas primeiras manifestações dos passados dias 24 de Outubro e 11 de Novembro marcadas por violências, detenções e inclusivamente a morte de um jovem estudante, hoje as cerca de 200 pessoas que participaram na acção de protesto tiveram a possibilidade de realizar pacificamente a sua manifestação.

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Teve lugar hoje em Luanda uma nova manifestação convocada por activistas da sociedade civil sob o lema "Angola diz Basta", em protesto contra a pobreza, a corrupção e exigindo a realização das eleições autárquicas. Segundo os organizadores da manifestação, o Presidente João Lourenço deve traduzir perante a justiça todos os dirigentes do seu partido e do governo envolvidos em actos de corrupção que continuam impunes como o ex vice-presidente Manuel Vicente, entre outros, que compõem a bancada parlamentar do MPLA.

Cumprindo todas as regras de bio-segurança exigidas pelas autoridades sanitárias, os manifestantes concentraram-se no Largo da Independência rodeados pelas forças de segurança que desta vez não intervieram, a actuação da polícia tendo sido bastante criticada por reprimir com violência as anteriores manifestações, causando feridos e uma vítima mortal de 26 anos, Inocêncio Matos.

O activista e estudante universitário supostamente morto pela polícia durante a manifestação do passado 11 de Novembro, dia em que se assinalavam os 45 anos da independência de Angola, ainda não foi sepultado. A família exigiu uma autópsia independente e desmente a versão da polícia que alega que o jovem foi vítima de uma queda durante a manifestação, contraindo um “traumatismo encefálico” do qual acabaria por morrer numa unidade hospitalar da capital.

Os próximos de Inocêncio Matos sustentam que testemunhas oculares viram o jovem ser atingido por uma bala e responsabilizam a polícia pelo sucedido. Em conferência de imprensa hoje, Alfredo de Matos, pai da vítima, pediu “encarecidamente” apoio às entidades religiosas, às autoridades tradicionais, à comunicação social e à sociedade civil para conseguir “proporcionar a derradeira justiça” e fazer com que não tornem a acontecer situações semelhantes.

Angola vive uma crise económica e financeira desde o choque petrolífero de 2014, em que devido à queda do preço do barril de ouro negro, o país viu diminuir drasticamente as receitas da sua principal fonte de riqueza. Com a covid-19, o país conheceu um agravamento das condições sociais da população, Angola fazendo parte dos países considerados "vulneráveis" pelo BAD (Banco Africano de Desenvolvimento) perante o risco de quebra do PIB e do aumento da pobreza extrema.

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