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Seca obriga angolanos a fugirem para a Namíbia

Várias províncias de Angola como Huíla, Cunene entre outras apelam a ajuda de emergência por causa da seca
Várias províncias de Angola como Huíla, Cunene entre outras apelam a ajuda de emergência por causa da seca DR

Milhares de angolanos afectados pela seca extrema estão a abandonar o país e a procurar refúgio na Namíbia. O alerta é dado pelo padre Pio Wacussanga, pároco dos Gambos, que pede às autoridades para declararem o estado de emergência para que a ajuda internacional possa chegar ao país.

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A seca extrema no sul de Angola está a levar milhares de angolanos a fugirem para a Namíbia para tentarem sobreviver. O alerta é dado pelo pelo padre Jacinto Pio Wacussanga, pároco dos Gambos, que afirma que mais de 15 mil pessoas já atravessaram a fronteira do país vizinho.

"Mais de 15 mil pessoas estão concentradas no norte da Namíbia. Nestas  duas últimas semanas, jovens, que são da nossa missão e da nossa paróquia, vêm despedir-se e pedir a benção para avançarem para a Namíbia. Uns a pé são capazes de percorrer mais de 200 quilómetros e outros de boleia vão chegando até encontrar um buraco no arame da fronteira para conseguirem sobreviver”, referiu.

Jacinto Pio Wacussanga diz que se trata da pior seca dos últimos anos, sublinhando que o impacto na agricultura é total e que as pessoas não têm o que comer.

“Os campos estão limpinhos, não tem nenhum pé de planta. Esta situação encontra as pessoas já vulnerabilizadas de secas anteriores e agora temos esta que é muito pior do que a seca de 2019”, garantiu. 

Para combater a seca no sul do país, as autoridades avançaram com o plano de ir buscar água ao rio Cunene e com projecto de realizar furos de água nas zonas mais afectadas. O pároco dos Gambos salienta que se tratam de planos pouco sérios e defende  projectos mais abrangentes.

“Não vejo ainda um plano sério que visa ajudar as comunidades a terem água permanente. [O projecto de ir buscar água ao rio do Cunene] está muito atrasado e deveria ser um projecto abrangente, que deveria abastecer as populações ao longo do rio caculuvar. A Huíla e o Cunene são as zonas mais críticas em termos de água”, detalhou. 

Segundo dados das agências das Nações Unidas, mais de 2,5 milhões de pessoas estão em risco de enfrentar, nos próximos anos, uma situação de fome aguda, o número de vítimas mortais continua ser pouco claro.

“Há uma grande opacidade em relação àqueles que morrem por causa da fome, mas aqui e acolá isto está a acontecer. Porque há pessoas que ficam uma semana sem se alimentar”, explicou.

Jacinto Pio Wacussanga fala “num ciclo de morte” e pede às autoridades para declararem o estado de emergência para que a ajuda internacional possa chegar ao país.

“Era altura de se declarar estado de emergência para se permitir que as grandes agências internacionais de apoio humanitário façam o mapeamento da situação, articulem as acções com o governo, com a sociedade civil, com as comunidades locais para podermos ultrapassar o problema”, concluiu.

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