Saúde

Médicos denunciam colapso dos hospitais públicos angolanos

Hospitais em Angola estão sobrelotados.
Hospitais em Angola estão sobrelotados. © Daniel Frederico

Sindicato dos Médicos em Angola denuncia carência de camas, medicamentos e material médico em Luanda, onde há mais de três mil pacientes por dia nos hospitais públicos.

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A classe médica  angolana alerta para riscos de colapso nos hospitais do país com o aumento do lixo em Luanda, uma situação que provoca o descontrolo do governo central.

O secretário provincial do Sindicato dos Médicos Angolanos, Miguel Sebastião, em declarações a RFI defende que as autoridades devem criar novas estratégias de combate ao saneamento básico e denunciam colapsos dos hospitais que se encontram neste momento abarrotados.

Para o pediatra, as dificuldades nos hospitais existem, visto que vários doentes estão a ser atendidos no chão e sem camas.

"Com estas enchentes muitos doentes estão a serem atendidos no chão, já não temos camas suficientes. Encontram-se numa única cama três a quatro crianças e a hemotransfusao está a ser feita no chão e nos corredores dos hospitais por falta de condições, temos problemas muitos sérios em todos os hospitais a nível nacional", denunciou. 

Luanda conta com mais de 30 unidades sanitárias de pediatria onde são atendidas mais de 3 mil crianças diariamente, segundo dados da Repartição Provincial da Saúde, consultados pela RFI.

Nesses últimos dias, a capital angolana tem enfrentado problemas de amontoados de lixo sem precedentes, que com as últimas chuvas torrenciais têm provocado doenças agudas em crianças e adultos, com destaque para vômitos, diarreia e malária .

"Luanda passou um momento de  excesso e amontoado de lixo, com a queda das chuvas, resultou o aumento de casos de patologia que hoje estão a assolar os hospitais públicos, que está a provocar o aumento de casos de diarreia, vómitos, malária, febre tifóide, paludismo, e outras doenças que estão a provocar enchentes nos hospitais" indicouo sindicalista.

Miguel Sebastião partilha mesmo a sua experiência pessoal. "Eu próprio fiz o banco de urgência e atendemos mais de 182 crianças só no hospital dos Cajueiros, no Cazenga em Luanda" fez saber.

Na última semana, os médicos angolanos alertaram o Executivo angolano sobre a degradação das condicoes sanitárias nos hospitais do pais, devido à sobrelotação, os hospitais do país estão sobrelotados e com falta de recursos humanos, material descartável e medicamentos, segundo o Sindicato dos Médicos Angolanos.

"As patologias mais frequentes são a malária, a diarreia, vómitos, a febre tifóide, a leptospirose, que estão a causar muitas enchentes nos hospitais, porque temos um sistema de saúde muito deficiente onde a rede primária não funciona, onde os centros e hospitais que estão próximos da população não têm condições e têm carência de tudo desde a falta de medicamentos, do pessoal quadro, de recursos humanos e todo povo acorre nos hospitais terciários", enumerou.

Juntou-se a esta problemática, o aumento de casos de covid-19 em plena segunda vaga da doença no país. Duas semanas após o Ministério da Saúde ter anunciado uma nova vaga do coronavírus com o aumento de novos casos e registo de várias mortes, com estripes indiana, sul africana e inglesa, o Governo voltou a reforçar as medidas de prevenção com novas restrições.

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