Angola/França

Angola espera "novo modelo" para África da Cimeira de Paris

O Presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu o Presidente de Angola, João Lourenço, no Palácio do Eliseu, em Paris, a 28 de Maio de 2018.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu o Presidente de Angola, João Lourenço, no Palácio do Eliseu, em Paris, a 28 de Maio de 2018. REUTERS/Philippe Wojazer

O Presidente angolano, João Lourenço, está em Paris para participar na Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas, que tem lugar esta terça-feira.  Objectivo é “pensar num novo modelo de desenvolvimento sustentável” para enfrentar as consequências da pandemia, explica o chefe da diplomacia angolana, enquanto Paris promete um “pacote de ajuda massiva". Carlos Lopes, economista guineense, diz que estas medidas não chegam. 

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Na capital francesa, João Lourenço tem encontro marcado com o homólogo francês, Emmanuel Macron, com o chefe do executivo português, António Costa, e com o antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

Na deslocação a Paris, João Lourenço faz-se acompanhar pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, e pela responsável da pasta das Finanças, Vera Esperança dos Santos Daves de Sousa.

O ministro das Relações Exteriores angolano refere que esta cimeira pretende encontrar uma solução global para a crise económica que se vive no continente africano, afectado pela pandemia de covid-19. 

“O espírito em agir como um colectivo. Fazermos com que África saia com alguma solução, relativamente às consequências desta crise. É preciso pensar num novo modelo de desenvolvimento sustentável para podermos fazer face a isto”

Teté António, ministro angolano das relações exteriores, 17/5/2021

A Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas pretende criar um "pacote de ajuda massiva" para África no contexto do impacto da pandemia de covid-19 e lançar as bases de um novo ciclo de crescimento, que passa pelo apoio ao sector privado. 

O responsável pela diplomacia angolana explica que este modelo assenta no “subfinanciamento das economias africanas, o sobreendividamento das economias africanas e as capacidades institucionais dos Estados, associado a um apoio do sector privado”.

O encontro de alto nível reúne 17 chefes de Estado africanos, líderes europeus e grandes instituições bancárias como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

A ideia do Presidente Emmanuel Macron e de outros dirigentes é de alocar os Direitos de Tiragem Especial - uma ajuda do FMI concedida aos países em termos de liquidez e que se podem aplicar em tempos de crise - e fornecê-los aos países mais pobres.

Os países africanos podem aceder ao máximo desses Direitos de Tiragem Especial, em função das suas economias -que neste caso seriam cerca de 34 mil milhões de dólares.

Carlos Lopes, antigo secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África, diz que "estas medidas não vão resolver os problemas de fundo do continente, que precisaria de 200 mil milhões de dólares para poder voltar ao nível de actividade económica que existia antes da crise".

Por sua vez, o analista angolano, Fernando Macedo, reconhece a importância desta cimeira, mas alerta que é preciso que a ajuda se alargue a toda a população africana. 

É preciso que essa cooperação seja estruturante e que comece a gerar um caminho de respeito pelos nossos povos. Muitos africanos veem a França e outros países europeus como estando mais interessada nos negócios e essa cooperação acaba por ser mais benéfica para os povos europeus do que para os povos africanos. É preciso cortarmos com esse ciclo”, defende. 

Fernando Macedo, analista angolano

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