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Le Monde critica gestão das enchentes no Brasil

Imagem das enchentes em Barreiros, no estado de Pernambuco.
Imagem das enchentes em Barreiros, no estado de Pernambuco. Reuters

Uma reportagem publicada no jornal Le Monde, na edição de quinta-feira, 1° de julho, critica o sistema brasileiro de prevenção de catástrofes naturais. O jornal acredita que o número de mortos nas recentes enchentes no Nordeste poderia ter sido menor, se as autoridades tivessem tomado as medidas necessárias.

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O correspondente do jornal no país, Jean-Pierre Langellier, reage às inundações que atingiram o Nordeste do Brasil no mês de junho. Segundo ele, se a população tivesse sido preparada para enchentes do gênero, o saldo de destruição teria sido bem menor.

O estado de Pernambuco não possui nenhum satélite meteorológico capaz de dar informações precisas com três ou cinco dias de antecedência. A compra de um radar, escreve Le Monde, baseando-se em informações da imprensa brasileira, custaria o equivalente a 5% do custo de construção do estádio de futebol que vai ser erguido em Pernambuco para a Copa do Mundo de 2014. Alagoas tem um radar, relata Le Monde, mas a maioria das cidades não tem uma brigada da Defesa Civil envolvida em ações de prevenção.

O jornal francês invoca os problemas de transferência de recursos federais sujeitos aos desmandos dos caciques políticos da região. Segundo a ong Contas Abertas, a Bahia, menos exposta do que os vizinhos às chuvas, recebeu 37% dos repasses federais, contra apenas 9% para Pernambuco e 0,3% para Alagoas. Le Monde conta que esse orçamento era gerenciado por Geddel Vieira Lima, que deixou o cargo de ministro da Integração regional para disputar o governo da Bahia. "Um especialista em demagogia pré-eleitoral", diz Le Monde.  

A reportagem do Le Monde denuncia ainda os erros administrativos e ambientais, principalmente por causa das casas construídas em zonas de risco, às margens dos rios. As chuvas diluvianas em Alagoas e Pernambuco deixaram um saldo provisório de 57 mortos, 69 desaparecidos e 300 mil desabrigados. As enchentes destruíram mais de 30 mil casas, 140 pontes e milhares de quilômetros de estradas, informa Le Monde.

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