Brasil/Líbia

Brasil diz que só apoia zona de exclusão aérea na Líbia com aprovação da ONU

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, durante encontro com o premiê chinês, Wen Jiabao.
O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, durante encontro com o premiê chinês, Wen Jiabao. Reuters

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, encerrou nesta sexta-feira uma visita de dois dias à China. Durante entrevista coletiva do ministro em Pequim, o Itamaraty divulgou uma nota em que afirma que a criação de uma zona de proibição de voos no espaço aéreo líbio só teria legitimidade se for discutida no Conselho de Segurança da ONU e respeitar a Carta das Nações Unidas.

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Maria João Belchior, correspondente da RFI em Pequim

O comunicado do governo brasileiro sobre a crise na Líbia, feito oficialmente no fim da visita do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, a Pequim. O texto afirma que o Brasil considera que qualquer discussão sobre iniciativas militares na Líbia tem de acontecer segundo a Carta da ONU e no Conselho de Segurança. Em situações de tensão com risco de violência, o ministro das Relações Exteriores disse que o Brasil vai privilegiar a democracia, o diálogo e a negociação.No único encontro com os jornalistas estrangeiros, o ministro Patriota disse que a situação da Líbia foi abordada com o chanceler chinês.

O Brasil não sinalizou interesse em participar de uma possível mediação do conflito na Líbia. O Itamaraty informou não ter recebido convite formal nem do governo venezuelano para participar como mediador, nem do governo líbio para enviar observadores. O Palácio do Planalto declarou que "apoiará todas as iniciativas que forem tomadas no âmbito da ONU". A assessoria da presidente Dilma Rousseff informou ainda que ela não conversou com Hugo Chávez nos últimos dias. Nesta quinta-feira, o presidente da Venezuela declarou que Muammar Kadafi teria aceitado receber uma comissão internacional para observar o conflito líbio e se posicionou contra uma intervenção militar no país.

Premiê chinês acena com solução para permanência da Embraer na China

Nos dois dias de reuniões em Pequim, as autoridades brasileiras e chinesas abordaram temas de cooperação econômica e a importância da III Cúpula dos Países do BRIC, que vai acontecer na China daqui a um mês. Sobre o encontro com o ministro do Comércio chinês, Patriota disse que há interesse em diversificar as exportações brasileiras para a China. Sem falar em questões mais polêmicas, como a desvalorização da moeda chinesa, Patriota disse que o encontro em Pequim serviu principalmente para preparar a visita da presidente Dilma Rousseff à China em abril.

O premiê chinês, Wen Jiabao, tomou a iniciativa de abordar a situação da Embraer com Patriota. Ele disse que o governo de Pequim está interessado em encontrar uma solução para manter a cooperação bilateral no setor da aviação civil. A Embraer pode fechar uma fábrica na China porque não obteve das autoridades de Pequim a autorização para produzir no país o modelo de avião ERJ-190, para 100 passageiros. O problema é que uma estatal chinesa tem um projeto para desenvolver um avião com as mesmas características. Como o assunto foi abordado espontaneamente pelo premiê chinês, criou-se uma expectativa de solução para o caso.

Antes de deixar Pequim, o chanceler brasileiro disse que convidou o primeiro-ministro Wen Jiabao para que ele faça uma visita ao Brasil ainda este ano. 

Com a colaboração de Cris Vieira

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