UE/Mercosul

Avanços modestos após uma semana de negociações entre UE e Mercosul

UE e Mercosul discutiram acordo de livre comércio, com poucos avanços.
UE e Mercosul discutiram acordo de livre comércio, com poucos avanços. inpi.gov.br/ue

Após uma semana de reuniões, negociadores da UE e Mercosul conseguiram apenas avanços modestos em Bruxelas. Em entrevista exclusiva para a RFI, o negociador-chefe da delegação brasileira, embaixador Evandro Didonet, disse que “ambos os blocos reconfirmaram a intenção de continuar trabalhando para a melhora das ofertas de liberalização, até os próximos encontros, nos meses maio em Assunção, e julho em Bruxelas”.

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Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

Os pontos sensíveis continuam sendo os mesmos: agricultura, para a UE, e abertura industrial, para o Brasil. Esta foi quarta rodada de negociações desde a retomada do processo, em maio do ano passado, após seis anos de paralização. Durante toda a semana, onze grupos de trabalhos com negociadores europeus e sul-americanos tentaram avançar a parte normativa do futuro acordo birregional.

Em linhas gerais, houve avanços no capítulo central sobre acesso a mercado. O que significa que os negociadores conseguiram definir as regras para a desgravação tarifária, que implica em questões como, por exemplo, qual será a base de partida para a aplicação do cronograma dos cortes tarifários.

Outro avanço considerável, em área considerada fundamental, foi em relação às regras de origem. Trocando em miúdos, esta questão diz respeito a comprovação de que os produtos devem ter um mínimo de fabricação dentro da UE ou do Mercosul. Os dois blocos também conseguiram avançar nas discussões sobre solução de controvérsias e política da concorrência.

Há ainda divergências importantes nos temas referentes às medidas sanitárias e fitosanitárias. Porém, explica Didonet “ambos os lados se acham maduros para iniciar uma troca de propostas de textos sobre a questão”. Também houve avanços, ainda que tímidos, nos textos relacionados às salvaguardas, serviços e investimentos.

Para Didonet, os europeus não disseram “nem em detalhes, nem em linhas gerais, onde eles estão em relação às ofertas deles”. Sobre o lobby agrícola e a recente resolução do Parlamento Europeu, Didonet declarou que “as pressões em relação à oferta agrícola são um elemento do jogo”. Logo depois, concluiu: “se os setores que têm preocupações defensivas vêem que o acordo está caminhando, é normal haver este tipo de manifestação”.
 

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