Irã/ONU

Brasil apoia investigação sobre situação dos direitos humanos no Irã

Relatório da ONU denuncia o aumento da repressão contra defensores dos direitos humanos e opositores do regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad no Irã.
Relatório da ONU denuncia o aumento da repressão contra defensores dos direitos humanos e opositores do regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad no Irã. Reuters

Na sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, realizada nesta quinta-feira em Genebra, o Brasil votou a favor da nomeação de um relator especial para investigar a situação dos direitos humanos no Irã. O voto configura uma mudança de posição do governo brasileiro em relação ao país.

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A resolução, apresentada pela Suécia com o apoio dos Estados Unidos, foi aprovada por 22 integrantes do Conselho. 14 se abstiveram e sete, entre eles China, Cuba, Paquistão e Turquia, votaram contra. Esta é a primeira vez desde 2002, quando o governo iraniano não autorizou a renovação do mandato do relator anterior, que a ONU cria um cargo especial para investigar a situação dos direitos humanos no Irã. O texto também expressou preocupação com o aumento da repressão no país.

A criação do relator especial é conseqüência de um relatório recente do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticando a intensificação da violação dos direitos humanos no Irã nos primeiros meses do ano. Segundo a AFP, 92 pessoas foram executadas no país desde 7 de março.

A diplomata americana, Eileen Donohoe, acredita que a investigação independente de um relator especial vai permitir que o Conselho enfrente de maneira responsável as violações dos direitos humanos descritas no relatório do secretário-geral da ONU.

O Irã denunciou em Genebra uma manobra dos Estados Unidos para aprovar a resolução e condenou o desrespeito dos direitos humanos cometido pelo governo americano em seu território e em várias regiões do mundo.

Posição brasileira

O Brasil, que durante o governo Lula tentou mediar a crise provocada pelo programa nuclear iraniano, votou a favor da resolução. Segundo a embaixadora brasileira, Maria Nazareth Azevedo, “o documento reflete um ponto de vista compartilhado de que a situação dos direitos humanos no Irã merece a atenção do Conselho”. Ela convidou os iranianos a cooperar. Essa é a primeira vez nos últimos 10 anos que o Brasil não se abstém ou vota contra uma resolução nas Nações Unidas que condena o Irã.
 

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