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Navio que vai resgatar caixas-pretas do AF447 chega ao local do acidente

Primeiros destroços do avião foram retirados do mar em 2009.
Primeiros destroços do avião foram retirados do mar em 2009. Reuters

O navio francês Ile de Sein, da Alcatel,  selecionado para o resgate das caixas-pretas do voo AF447, que caiu no 31 de maio Oceano Atlântico na rota Rio-Paris, chegou às 5h da manhã desta terça-feira ao local do acidente, situado a cerca de 300 quilômetros da costa brasileira.

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Segundo o comunicado do BEA, a agência civil francesa que investiga as causas do acidente, divulgado nesta terça-feira, o navio traz 68 pessoas a bordo. Ele deixou o porto de Dakar, no Senegal, às 18h20 de sexta-feira. Nos últimos dias, os tripulantes participaram de uma série de reuniões para recapitular a organização, os objetivos da fase 5 e o funcionamento do robô Remora 6000, que será utilizado na retirada das peças do avião. O equipamento começou a explorar a área de 1200 km 2 nesta terça-feira pela manhã.

De acordo com o diretor de investigação do BEA, Alain Bouillard, dois grupos de trabalho foram formados no navio.Um deles vai analisar as mais de 15 mil fotos tiradas pelo robô Remus, utilizado na fase 4. A prioridade é detalhar as imagens da cauda, onde provavelmente estariam acopladas as caixas-pretas. Uma outra equipe ficará encarregada dos procedimentos operacionais necessários para o resgate das caixas-pretas, calculadoras e outras peças do avião fundamentais para a investigação, como o cockpit.

A carcaça do A330 e as caixas-pretas, que ainda não foram localizadas, estão a 4 mil metros de profundidade. Elas podem ser descobertas a qualquer momento. Segundo a assessora de imprensa do BEA, Martine Del Buono, "nesta profundidade, é difícil de estabelecer um prazo. Elas podem ser resgatadas em um dia, uma semana, ou mês", declarou à RFI.  Depois de encontradas, as caixas-pretas serão lacradas, trazidas em uma fragata para a França e em seguida levadas de avião para o escritório do BEA em Paris. A operação também servirá parta o resgate de restos mortais dos 228 passageiros. Os corpos mais conservados serão trazidos para a França e identificados. A operação será supervisionada pelos oficiais de Justiça a bordo do navio.

Famílias pedem audiência com Dilma
 

A associação dos familiares das vítimas do voo AF447 enviou uma carta para a presidente Dilma Rousseff pedindo uma audiência com as mulheres que perderam seus parentes no acidente. Segundo a associação brasileira, o objetivo é pedir que os corpos resgatados durante a operação sejam identificados em Pernambuco, como ocorreu nas fases anteriores. Os restos mortais de 39 brasileiros ainda continuam desaparecidos.

As famílias também pedem que as caixas-pretas possam ser analisadas por um país "neutro", que não esteja envolvido no acidente. "Para a Associação, já que a fabricante Airbus e a empresa aérea Air France são francesas, outro país deveria ficar responsável pela análise das informações contidas no equipamento", diz o comunicado dos familiares. As famílias também pedem que as indenizações sejam reavaliadas. Até agora, segundo o diretor-executivo da Associação, Marteen Van Sluys, os parentes receberam apenas a indenização básica de 48 mil reais, prevista pelo Tratado de Montreal.
 

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