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AF447

Pilotos do AF447 teriam desviado de zona de turbulência

Operação de resgate dos destroços do voo AF-447
Operação de resgate dos destroços do voo AF-447 http://www.bea.aero/fr
Texto por: Taíssa Stivanin
4 min

Os pilotos do voo AF447 evitaram as áreas de turbulência na noite do acidente, segundo informações da rádio francesa Europe 1. A BEA, a agência civil francesa que investiga as causas da catástrofe, não se pronunciou sobre o caso. O governo francês teria pedido à agência que antecipasse a publicação do primeiro relatório de análise das caixas-pretas, resgatadas no início do mês.

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As primeiras análises das caixas-pretas do voo AF447, resgatadas no início de maio na área do acidente, revelam que os pilotos do Airbus 330 evitaram as áreas de turbulência comuns na zona de convergência tropical, situada entre a África e a América do Sul, onde caiu a aeronave. Na terça-feira, o jornal francês Le Figaro insinuou que os comandantes da Air France poderiam ter cometido algum erro. No primeiro relatório divulgado em 2009, a BEA, a agência civil francesa que investiga as causas do acidente, informou que os outros aviões da companhia mudaram a rota para desviar das nuvens cumulus nimbus, intensas na noite do acidente, no dia 31 de maio de 2009. O AF447 teria seguido em linha reta, mas as informações nunca foram confirmadas pela agência.

De acordo com uma fonte ligada à investigação, as caixas-pretas mostram que os pilotos conseguiram desviar das nuvens. A suspeita de que a responsabilidade poderia recair sobre a tripulação revoltou os pilotos da Air France. Em um comunicado enviado nesta terça-feira, o SNPL (Sindicato Nacional dos Pilotos de Linha), o principal da categoria, questiona a credibilidade das informações da imprensa francesa. "O Sindicato não aceitará que os pilotos mortos na catástrofe sejam condenados pela opinião pública antes que todas as causas do acidente sejam esclarecidas", diz o texto.

Uma tese que também não é corroborada pelas Associações dos Familiares das Vítimas do Acidente, que julgam prematuro isentar a Airbus de qualquer responsabilidade. Nesta quarta-feira, o diretor da investigação do BEA, Alain Bouillard, declarou que, até agora, problemas graves foram descartados, como pane elétrica total ou do motor, mas outros defeitos menos importantes ainda podem ser detectados. Em um memorando interno enviado aos clientes, a Airbus assegurou que nenhum modificação no Airbus precisaria ser feita por enquanto.

Os principais resultados da análise das caixas-pretas do voo Rio-Paris devem ser conhecidos até o final de junho, de acordo com o secretário de Estado francês dos Transportes, Thierry Mariani. A informação é do jornal Francês Les Echos. Segundo a reportagem, Mariani teria se reunido no início desta semana com Jean-Paul Troadec, diretor do BEA, a agência francesa que investiga as causas do acidente, para pedir que o primeiro relatório da análise das caixas-pretas e dos outros destroços da aeronave fosse antecipado.

Logo depois da descoberta das caixas-pretas, a agência anunciou que o relatório final seria publicado apenas no início de 2012, mas o prazo foi reduzido depois que algumas informações sobre as caixas-pretas começaram a vazar para a imprensa.  O organismo é ligado ao Ministério dos Transportes francês, mas beneficia de um estatuto independente. As caixas pretas descobertas em 1 de maio chegaram a Paris na quinta-feira passada e todas as informações contidas puderam ser lidas. Os corpos de mais duas vítimas do voo AF447 também foram resgatados no início do mês e poderão ser identificados, de acordo com um comunicado divulgado pela polícia francesa. A equipe do navio Ile de Sein foi reforçada e dará continuidade ao resgate dos restos mortais em condições de serem identificados.

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