Mercosul/União Europeia

Mercosul entrega até dezembro proposta de acordo com europeus

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo.
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo. Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

O chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, confirmou que o Mercosul vai apresentar até o final do ano uma oferta em conjunto à Europa para a formação da maior área de livre comércio do mundo, a do Mercosul com a União Europeia.

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Márcio Resende, de Montevidéu

 

 

Mesmo ainda sem um anúncio oficial por parte do Paraguai, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, antecipou à RFI em Montevidéu, no Uruguai, que festeja a plena reincorporação do Paraguai ao Mercosul depois de mais de um ano de afastamento do país. De qualquer forma, o retorno do Paraguai teria de acontecer até, no máximo, dezembro já que, como o chanceler brasileiro também antecipou, o Mercosul vai apresentar até dezembro uma proposta de acordo comercial à Europa

"Estamos muito felizes com o pleno retorno do Paraguai. O Paraguai será parte dessa oferta para o acordo Mercosul-União Europeia. Queremos festejar o fato da plena integração do Paraguai de volta ao Mercosul", entusiasmou-se.

O ministro Figueiredo anunciou que o Brasil e o Uruguai já estão com as ofertas aos europeus prontas, e que espera contar com as ofertas de Paraguai e Argentina, os outros sócios do bloco que participam desta negociação. A Venezuela, outro membro do Mercosul, ainda não faz parte das negociações com os europeus.

 

O chanceler brasileiro acredita que até dezembro, prazo negociado com a União Europeia, haverá tempo para todas as propostas estarem prontas e compatibilizadas como uma única oferta do bloco. Brasil e Uruguai descartam assim a possibilidade de negociarem de forma independente com a União Europeia.

 

"Tenho boas informações sobre a proposta do Paraguai e sobre a da Argentina que está sendo preparada. Como estamos falando de dezembro, ainda há tempo para a conclusão das propostas e para uma conversa e entendimento entre os membros do Mercosul", calcula.

 

As negociações sofreram atrasos a partir de crescentes medidas protecionistas por parte da Argentina e pela suspensão do Paraguai do Mercosul, depois da destituição do então presidente Fernando Lugo em junho do ano passado. Sem a presença do Paraguai, a Venezuela foi incorporada imediatamente ao bloco. Com a eleição do presidente Horacio Cartes em abril, o Mercosul decidiu revogar a suspensão em junho, mas o Paraguai resiste a retornar ao bloco enquanto a Venezuela estiver na presidência temporária do Mercosul. O mandato venezuelano termina em dezembro.

 

Uruguai apóia Brasil em governança na Internet para evitar espionagem

 

 

Outro assunto que o chanceler brasileiro tratou tanto com o seu colega uruguaio, Luis Almagro, quanto com o próprio presidente do Uruguai, José Mujica, foi "segurança cibernética". O Uruguai apóia o Brasil quanto à necessidade de uma governança mundial coletiva na Internet, conforme explicou à RFI o chanceler Figueiredo.

"Nós vamos buscar um quadro civil internacional para a internet que possa garantir a liberdade de expressão, de opinião e, ao mesmo tempo, a proteção da privacidade das pessoas, dos dados das pessoas, das empresas e a soberania dos países. A proteção contra ataques cibernéticos aos governos. Nós vamos levar (essa iniciativa) a cabo nos foros internacionais", explicou Figueiredo.

 

Brasil e Uruguai debatiam como proteger a privacidade de cidadãos, empresas e governos enquanto, na França, novas denúncias de espionagem por parte da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) traziam à tona o assunto.

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