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Brasil/ Europa

Dilma diz estar “perfeitamente satisfeita” com obras da Copa

A presidente Dilma Rousseff em Bruxelas , 24 de fevereiro de 2014.
A presidente Dilma Rousseff em Bruxelas , 24 de fevereiro de 2014. REUTERS/Francois Lenoir
Texto por: Lúcia Müzell
5 min

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (24) estar “plenamente satisfeita” com o andamento das obras de preparação para o Mundial de futebol no Brasil. Depois de convidar as lideranças europeias a participar da “Copa das Copas”, ela garantiu que os trabalhos ficarão prontos até o evento. Dilma ainda prometeu que o governo entregará na semana que vem ao Congresso uma legislação para enquadrar as manifestações no país.

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“Estou perfeitamente satisfeita”, disse a presidente, ao ser questionada por um jornalista sobre o andamento das obras para o Mundial, principalmente os aeroportos. “Eu não acredito que as obras não ficarão prontas para a Copa. O Galeão e o Confins não têm grandes alterações a fazer para a Copa. As alterações que vão ser feitas em Confins e no aeroporto do Galeão são para nós”, explicou, em coletiva de imprensa, ao se referir aos aeroportos do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. “Nos outros três, muitas obras vão ficar prontas para além da necessidade da Copa.”

A presidente reiterou a intenção de construir 200 aeroportos no Brasil para melhorar o transporte aéreo no país, independentemente do evento esportivo. Ela prometeu o lançamento do projeto ainda no primeiro semestre.

Sobre as manifestações contra a Copa do Mundo, que têm chamado a atenção da imprensa internacional e das entidades esportivas, Dilma prometeu enviar ao Congresso, até a semana que vem, uma nova legislação para enquadrar os protestos. “Manifestação é um direito constitucional, é algo que nós, que vivemos esse processo de democratização do Brasil, temos todos de valorizar. Isso é uma coisa. Outra coisa completamente diferente é, por exemplo, a morte do cinegrafista. Aí é completamente diferente. Isso não é democrático, isso é criminoso e isso não pode continuar”, declarou a presidente, em alusão a Santiago Andrade, funcionário da TV Bandeirantes, morto durante os protestos do dia 6 de fevereiro. 

Para ela, os protestos não podem resultar em danos ao patrimônio público ou privado, no ataque às pessoas e ainda menos na morte de alguém. “A posição do governo é: tem de coibir. Mas não se pode, em nome disso, impedir manifestação. Nós vamos ter de conviver com isso”, observou.

O assunto também tinha vindo à tona durante o 7o Encontro Empresarial Brasil - União Europeia, nesta tarde, com a participação de empresários das duas potências. Diante de uma plateia lotada de dirigentes industriais e agrícolas, Dilma argumentou que as manifestações eram uma consequência da melhoria da situação política e social do país. “Quem tem inclusão social quer mais inclusão social. Quem tem serviços públicos, quer mais e melhores serviços públicos”, sublinhou.

Mercosul e OMC

Na ocasião, Dilma disse que o governo está empenhado em reduzir a burocracia para facilitar os investimentos estrangeiros, e destacou que as turbulências cambiais que afetam o real nas últimas semanas são o resultado de um “ajuste” natural, e não de vulnerabilidade da moeda brasileira.

Para os jornalistas, ela voltou a demonstrar otimismo sobre as negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo a presidente, as crises na Argentina ou na Venezuela não serão um empecilho para um acerto de redução das barreiras comerciais. A expectativa é de que, na próxima reunião sobre o tema, seja definida uma data para a apresentação das ofertas de acordo por cada lado.

“Nunca eu vi tão próxima essa possibilidade, tanto da nossa parte – cuja evolução é significativa –, quanto da parte deles. O caminho é o melhor possível, mas feito com cuidado, com cautela”, disse. “Eu acho que sai agora, é essa a minha opinião, o meu feeling”, referindo-se a uma negociação que já dura 14 anos e poderia , segundo a presidente, se resolver ainda em 2014.

Dilma considera que o questionamento feito pela União junto à Organização Mundial do Comércio sobre o sistema de tributação da Zona Franca de Manaus também não deve prejudicar as discussões com o Mercosul. “Não há nenhuma relação entre uma coisa e outra. As consultas e os painéis fazem parte das relações comerciais entre os países”, comentou. “Mas eu me manifestei de forma veemente, porque eu acho que é uma questão que temos de estranhar.”

A presidente retornou nesta tarde para Brasília. Antes de passar pela Bélgica, ela esteve no Vaticano, para a nomeação do cardeal brasileiro Dom Orani Tempesta.

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