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Detenção provisória pode afetar futuro político de Sarkozy, diz especialista

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy.
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy. REUTERS/Stéphane Mahé

A detenção provisória do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy pode afetar seus projetos políticos e uma possível candidatura às eleições presidenciais de 2017. Segundo o cientista político e professor na universidade Sorbonne Stéphane Monclaire, o suposto envolvimento do ex-presidente com o tráfico de influências já provocou uma perda de legitimidade dentro do ambiente político.

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Reportagem de Rossane Lemos

"Esse desgaste de Sarkozy acontece em um momento em que a preocupação dos franceses é, não somente lutar contra o desemprego, mas também ter políticos limpos. E o caso de Sarkozy hoje não combina com essa expectativa", diz Monclaire.

Nicolas Sarkozy passou a terça-feira prestando depoimento à justiça francesa para explicar um suposto envolvimento no tráfico de influências e violação de segredo judiciário. De acordo com a denúncia, Sarkozy teria prometido favores a um juiz para obter informações privilegiadas de um inquérito em que era acusado de mau uso de dinheiro de campanha.

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O professor Monclaire alerta que os franceses estão muito distraídos com a participação do seu time na Copa do Mundo do Brasil, o que dificulta a compreensão da gravidade desse tipo de crime. A liberdade e a clara separação dos poderes executivo e judiciário são condições garantidas no Código Penal francês. Se indiciado e condenado após o final do processo, Sarkozy pode ter de pagar uma multa de cerca de um milhão de reais e enfrentar cinco anos de prisão.

Sarkozy e o UMP

Pela primeira vez na história da França, um ex-presidente é detido para prestar depoimentos. Mesmo assim, ainda é cedo para prever o cenário político das próximas eleições presidenciais, especialmente para Sarkozy. Como o ex-presidente responde a outros seis processos judiciais, nos próximos três anos que antecedem o pleito ele será convocado a prestar depoimentos frequentemente e "essa novela poderá dificultar ainda mais a vida política de Sarkozy, inclusive dentro do seu partido", lembra Monclaire.

Se dentro do Partido Socialista, essa detenção provisória do adversário político é vista, logicamente, com bons olhos, para uma ala do próprio partido de Sarkozy, o UMP, o fato também pode ser interessante. Sarkozy presidiu esse partido de direita durante três anos e era cotado para voltar ao comando depois das férias de verão na Europa. Entretanto, algumas lideranças como os ex-primeiros ministros François Fillon e Alain Juppé podem aproveitar esse desgaste individual para também reafirmar suas intenções políticas.
 

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