Cúpula dos Brics

Dilma diz que Banco dos Brics não afastará Brasil do FMI

A presidente Dilma Rousseff, entre o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi (E), e o presidente chinês, Xi Jinping, nesta quarta-feira, em Brasília, durante o segundo dia da cúpula do Brics, em Brasília.
A presidente Dilma Rousseff, entre o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi (E), e o presidente chinês, Xi Jinping, nesta quarta-feira, em Brasília, durante o segundo dia da cúpula do Brics, em Brasília. REUTERS/Sergio Moraes

Um dia após formalizar a criação do Banco dos Brics, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, declarou nesta quarta-feira (16) que não tem a intenção de se afastar do Fundo Monetário Internacional (FMI). A chefe de Estado, no entanto, fez questão de frisar que o Brasil, desde que pagou sua dívida, é independente do FMI.

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“O Brasil já reembolsou sua dívida e desde então não depende mais do FMI”, disse Dilma, em Brasília, depois de se reunir com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi – encontro paralelo ao segundo dia da Cúpula dos Brics. “O FMI nunca mais dirigiu a política brasileira”, ressaltou, completando que a relação do país com a instituição passou de nação individada a contribuidora.

A presidente lembrou que o Brasil e os outros países integrantes do Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) querem uma reforma do FMI e das instituições financeiras multilaterais em geral. “O que nós reivindicamos é que haja aquilo que foi acertado quando houve a criação do G-20 e toda a reação diante da crise de 2007 e 2008. A representação econômica dos países seria refletida no acordo de cotas.”

Ela também garantiu que o Banco dos Brics vai considerar com "generosidade" os pedidos das outras nações, sem abandonar padrões de "boa gestão". "Temos interesse em democratizá-lo e torná-lo mais representativo. O novo banco do Brics não é contra, ele é a nosso favor. É uma postura completamente diferente. E terá sempre uma postura diferenciada em relação aos países em desenvolvimento", completou.

A presidente também negou que o Brasil tenha cedido em aceitar que o primeiro presidente do Banco dos Brics seja um indiano, quando Brasília também disputava pela posição. Dilma declarou que a instituição terá um sistema rotativo de gestão, seguindo um “padrão igualitário”, onde todos os países terão o direito de assumir a direção.

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